O deputado estadual Ivan Naatz (PL) esteve nesta segunda-feira, 15, na Câmara de Vereadores, para protocolar um documento chamado Notícia de Fato, pedindo a instalação de uma CPI para investigar o contrato da Risotolândia, na gestão passada. Ele fez a entrega pessoalmente ao presidente da Casa, Aílton de Souza, o Ito (Podemos).
Naatz, que é advogado e autor da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou a compra fraudulenta de respiradores pelo Governo de Carlos Moisés, então no PSL, no auge da crise da pandemia, deixa claro no documento que sabe que qualquer pedido de CPI deve ser feito por pelo menos um vereador.
O fato determinado, essencial para a criação de uma CPI, é um aditivo ao contrato vigente firmado pela Prefeitura e pela Risotolândia em 26 de dezembro de 2024, cinco dias antes do final do mandato de Mário Hildebrandt (PL). No protocolo, Ivan Naatz nomina pelo menos duas vezes o ex-prefeito e o ex-secretário de Educação, Alexandre Matias (PSDB), hoje líder do governo Egidio Ferrari (PL) na Câmara.
Ainda em janeiro de 2025, logo depois de assumir e às vésperas do começo do ano letivo, o prefeito Egidio Ferrari (PL) decidiu rescindir o contrato com a Risotolândia e colocou outra no lugar. Um ano e cinco meses depois, com as operações do GAECO, é possível dizer que estava certo. O cancelamento do contrato veio junto com a exoneração de Matias, o primeiro secretário de educação de Egidio e o último de Mário, hoje líder do Governo na Câmara.
Nem Mário Hildebrandt nem Alexandre Matias são investigados nas três operações do GAECO realizadas em maio.
O documento de Ivan Naatz foi recebido pelo presidente da Câmara e será encaminhado à Procuradoria, e Ito comunicará aos colegas vereadores. Para que ela seja protocolada, precisam-se de pelo menos cinco assinaturas para que ela prossiga.
Ivan Naatz tenta criar um fato político. O ex-prefeito concorrerá a deputado estadual, assim como Naatz, sendo que os dois são adversários diretos, por estarem no PL, além de terem o mesmo domicílio eleitoral. Os dois nunca se deram, mas Naatz subiu o tom nesta fase de pré-campanha, embalado pela repercussão das investigações da Força-Tarefa do Ministério Público.
A gravidade das evidências reveladas até agora pelas três operações do GAECO merece toda a atenção e acompanhamento. Mas isso já está acontecendo; olha a repercussão de tudo que está aparecendo. Os vereadores não conseguirão avançar mais do que está sendo feito pela Força-Tarefa.
Até é possível mensurar cinco possíveis assinaturas dentro da Câmara para assinar a CPI, por conta das divergências com o ex-prefeito Mário Hildebrandt, mas muitos fatores devem determinar que a proposta não avance.
O primeiro é o período, na fase de pré-campanha. Pelo menos quatro vereadores devem ser candidatos. Outros trabalharão como cabos eleitorais. Ninguém tem no horizonte assumir a responsabilidade de tocar uma CPI, pelo menos até outubro.
Outro fator é que a grande maioria dos vereadores de hoje foi base na gestão passada. Um deles é o líder do Governo Egidio, Alexandre Matias, possível alvo caso a CPI avance.
Terceiro. Ivan Naatz não tem uma relação cordial com seus colegas da política e vice-versa. Deputado estadual de segundo mandato, conquistou um espaço importante, com pautas de interesse público, desde seus tempos só como advogado e depois como vereador. Mas o método incomoda.
Uma CPI é sempre política, e uma CPI em período eleitoral é muito mais. Não deve prosperar.







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