A visita de Bolsonaro a Chapecó e o reforço de narrativas diversionistas e meias verdades

Foto: Leandro Schmidt/ Prefeitura de Chapecó/Divulgação

Chapecó, no Oeste do Estado, foi palanque político nesta quarta-feira de mais uma visita do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em Santa Catarina. Uma oportunidade para reconhecer o bom trabalho do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD) – alinhado com as ideias do presidente -, depois que a cidade tornou-se  epicentro do Coronavírus em Santa Catarina, com pessoas morrendo a espera de uma UTI. Mas também para passar mensagens diversionistas e meias verdades.

É verdade que foi feito um grande mutirão entre as diferentes esferas do  Poder, que proporcionaram um ampliação recorde de leitos de UTIs, com a criação de um hospital de campanha e a testagem em massa. A cidade também criou um ambulatório especifico para tratamento precoce, mesmo com todas entidades médicas se posicionando de forma contrária.

Mas os números não são assim tão diferentes de outras cidades catarinenses, servindo mais de retórica política.

O presidente voltou a defender com veemência o “tratamento precoce” e combater o “lockdown” nacional, defendendo a liberdade como princípio básico, ele que flerta sistematicamente com a ditadura.  Criticou a imprensa e lembrou que é criticado até fora do país, “o único líder mundial.”

“Eu não sei como salvar vidas, eu não sou médico, não sou enfermeiro, mas eu não posso escolher a liberdade do médico ou até mesmo do enfermeiro. Ele tem que buscar uma alternativa para isso”, afirmou, defendendo a autonomia e liberdade para as pessoas escolherem o tratamento a ser aplicado.

“Não podemos admitir impor limites ao médico. Se o médico que não quer receitar aquele medicamento, que não receite. Se outro cidadão qualquer acha que aquele medicamento não está errado… não está certo porque não tem comprovação científica, que não use, é liberdade dele. O off-label, fora da bula, é o remédio ‘pro’ paciente. Hoje, têm aparecido medicamentos que ainda não estão comprovados, que estão sendo testados, e o médico tem essa liberdade. Tem que ter. É um crime querer tolher a liberdade de um profissional de saúde”, disse o presidente.

Bolsonaro garantiu que não colocará o Exército nas ruas para fazer as pessoas ficarem em casa, situação que não está colocada.

Todos os discursos enalteceram as ações da cidade, que tem mais mortos pela Covid-19 do que a média nacional e estadual. A taxa de mortalidade por 100 mil habitantes da doença no município é de 240,6, enquanto no Brasil é de 160,3. Já em Santa Catarina, o índice está em 161,2.

Chapecó tem  224 mil habitantes e contabiliza 541 mortes. Blumenau tem 361 mil moradores e 425 mortes. 106 mil testes foram realizados na principal cidade do Oeste, 163 mil testes aqui. Os depósitos da Secretaria de Saúde de Blumenau estão abarrotados destes controvertidos remédios – Ivermectina e Hidroxicloroquina -, e podem ser receitados livremente. Não o são pois a maioria dos médicos prefere seguir a cartilha que a comunidade médica mundial prega.

Os leitos de UTIs não estão vazios em Chapecó, sim os da nova estrutura montada. 116 pessoas estão nas UTIs da cidade e 108 em Blumenau, segundo dados desta terça-feira.

A visita serviu de palanque político, este é o nome.  No dia do jornalista, é preciso dizer isso.

 

3 Comentário

  1. ABSURDO…QUANTA HIPOCRESIA….TUDO IGUAL…PRESIDENTE SE AGARRANDO ATÉ EM FIO DESENCAPADO PARA TER ALGUM PRESTIGIO NESTE SEU GOVERNO MILICIANO….CHEGA A SER COMICO…..REPUBLICA DOS BANANAS

  2. “mesmo com todas entidades médicas se posicionando de forma contrária.”
    Isso sim que é uma meia verdade

  3. Melhor meia verdade do Bolsonaro que um verdade de Lula, já que a verdade de Lula , é 100 % mentira .

Deixe uma resposta