A Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa, por proposição do deputado estadual Ivan Naatz (PL), realizou, na manhã desta sexta-feira (20), no auditório da Univali, em Itajaí, uma audiência pública para debater as causas das frequentes interrupções no fornecimento de energia que vêm sendo verificadas em diversos municípios das regiões do Litoral Norte, Vale do Itajaí e Vale do Itapocu, bem como definir um plano de ação e de investimentos para resolver o problema, além de aprimorar o atendimento aos consumidores.
O evento reuniu gestores públicos, vereadores e lideranças políticas e comunitárias dos municípios afetados e representantes da empresa Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). Na abertura, Ivan Naatz afirmou que a Assembleia Legislativa tem percebido um número crescente de reclamações sobre a prestação de serviços da Celesc na região, não só dos consumidores e prefeitos, mas também do setor produtivo, motivo pelo qual tomou a iniciativa de realizar o debate.
Outra questão levantada pelo parlamentar diz respeito à composição da administração da empresa, que, segundo ele, é formada por indicações de caráter político, em detrimento de critérios técnicos. Ele disse ainda que pretende criar uma comissão permanente na Assembleia Legislativa encarregada de acompanhar o andamento dos investimentos da empresa, a qual defendeu que continue pública diante de cogitações de um movimento interno para privatização.
Prejuízo para a população
Durante a reunião, diversos gestores públicos e representantes municipais reclamaram dos prejuízos que as falhas no fornecimento de energia têm ocasionado à população, além de impedirem novos investimentos e ampliação de outros na área empresarial e do turismo. O vice-prefeito de Itajaí, Rubens Angioletti (PL) disse que “todos os dias, como administradores da cidade, recebemos reclamações do nosso povo por falta de energia elétrica. Energia que falha, que cai. Não queremos apontar culpados, só que o serviço melhore. Só isso, pois, quando pagamos, queremos que o serviço seja entregue, e com qualidade”, reclamou.
Investimentos da Celesc
Representando a Celesc, o diretor de Engenharia e Obras da empresa, Cláudio Varella do Nascimento, afirmou que o governo do Estado determinou a realização de um plano de investimentos até o fim de 2026 de cerca de R$ 4,5 bilhões. Deste montante, R$ 3,5 bilhões já foram aplicados, disse, principalmente na construção de subestações e melhoria do atendimento, com a disponibilização de mais bases operacionais e equipes nas regionais de Blumenau, Jaraguá do Sul e Itajaí.
“São investimentos vultosos. Até este momento, nessas três regionais, nós já investimos mais de meio bilhão de reais”, disse.
Como exemplo, ele citou a construção ou ampliação de subestações em municípios como Pomerode, Jaraguá do Sul, Guaramirim, Penha, Porto Belo, Bombinhas, Tijucas, Botuverá, Ascurra, Camboriú e Balneário Camboriú. Os equipamentos, segundo ele, devem trazer mais segurança no fornecimento de energia para toda a região, permitindo que, em casos de queda, a necessidade de energia possa ser remanejada de uma para outra estação.
Terceirização do atendimento
Os representantes dos servidores da Celesc também participaram em grande número da audiência. O coordenador da Intersindical dos Eletricitários, Ailton Commumello, manifestou preocupação com a terceirização dos serviços prestados pela Celesc, que, segundo ele, já alcançaria 50% do quadro funcional. Ele defendeu a realização de novos concursos públicos para a recomposição do efetivo da empresa.
“Não somos contra os trabalhadores terceirizados, mas contra a terceirização de forma geral. Eles não têm as mesmas condições, nem o mesmo treinamento e equipamentos que nós. Também não têm o mesmo empenho na hora de defender os seus trabalhos e na hora de prestar o melhor serviço para a população catarinense”, disse.
Ao finalizar a audiência, o deputado Ivan Naatz disse que o objetivo foi alcançado, mas que o trabalho de fiscalização e acompanhamento continuará sendo feito via Assembleia Legislativa, assim como também a defesa da Celesc pública e contra a ampliação da terceirização dos serviços. “A terceirização é um processo de inovação que avança no mundo todo , mas em casos onde não se mostra eficiente , tem que parar e avaliar o que está acontecendo”, observou. Os sindicalistas representantes das várias regiões atendidas pela Celesc, por outro lado, fizeram manifestações públicas de contrariedade ao atual presidente da Celesc, Tarcisio Rosa, a quem consideram um incentivador do processo de terceirização dos serviços.




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