“Quem sou pra dar conselho pra quem tem mais poder e dinheiro que eu?! Mas…” a história política costuma ser implacável com aqueles que confundem paixão com razão, idolatria com liderança e combate à corrupção com autorização para abandonar os princípios democráticos. O problema não é ser de direita, de esquerda ou de centro. O problema é quando a identidade política substitui a capacidade de pensar criticamente.
Nos últimos anos, a política brasileira foi engolida por uma lógica de torcida organizada. O debate sobre projetos de país perdeu espaço para a adoração de líderes transformados em símbolos quase religiosos. Como observa o historiador Leandro Karnal em diversas reflexões públicas, a política passou a ser consumida como um espetáculo moral, no qual o importante não é discutir políticas públicas, mas definir quem são os “puros” e quem são os “corruptos”.
Nesse cenário, parte significativa da direita brasileira demonstrou uma preocupante falta de maturidade política. Em vez de construir uma tradição conservadora sólida, baseada em instituições fortes, responsabilidade fiscal, respeito à democracia e produção intelectual consistente, muitos preferiram investir na figura do salvador da pátria. O resultado foi a substituição do pensamento conservador pela devoção pessoal.
A ironia é que a chamada “luta contra a corrupção”, bandeira legítima e necessária em qualquer democracia, acabou se transformando em um instrumento de seletividade moral. A corrupção passou a ser um problema gravíssimo quando praticada pelos adversários e um detalhe inconveniente quando envolvia aliados. A indignação deixou de ser um valor ético para se tornar uma estratégia política.
Esse fenômeno é perigoso porque a corrupção não destrói apenas cofres públicos; ela destrói a confiança social. Quando cidadãos passam a acreditar que princípios podem ser relativizados conforme a conveniência ideológica, a corrupção deixa de ser uma exceção e passa a ser tolerada como ferramenta de poder. A partir daí, não importa mais o que foi feito, mas quem fez.
A psicologia política explica parte desse comportamento. As pessoas não escolhem suas posições apenas pela razão, mas também pelo desejo de pertencimento. Defender o grupo passa a ser mais importante do que defender a verdade. É por isso que notícias falsas, teorias conspiratórias e narrativas sem comprovação encontram terreno fértil em ambientes politicamente radicalizados.
O Brasil precisa urgentemente de uma direita democrática, culta e institucionalista, assim como precisa de uma esquerda democrática, responsável e comprometida com resultados concretos. Nenhuma democracia madura se sustenta sobre mitos. Ela se sustenta sobre instituições, fiscalização, transparência e cidadania.
Talvez a maior tragédia dos últimos anos tenha sido convencer milhões de brasileiros de que combater a corrupção significa escolher um herói. Não significa. Combater a corrupção é desconfiar do poder, seja ele exercido por quem for. Quando a crítica desaparece e a idolatria assume o comando, a corrupção muda apenas de endereço.
E a história mostra que, quase sempre, quem acredita estar lutando contra todos os corruptos acaba descobrindo tarde demais que estava apenas defendendo os seus.
Marco Antônio André, advogado e ativista de Direitos Humanos







Mas tem gente acreditando no Lula até hoje .
Não né??…vamos acreditar no GENOCIDA..ou no negacionista não é mesmo??…