A dor de um pai

 

Nesta segunda-feira sai de casa por volta das 20h15, para levar minha filha de 23 anos para a rodoviária. Cerca de meia hora depois voltei e a pequena rua onde moro, no bairro Fortaleza, estava muito movimentada.

Vizinhos, amigos e parentes estavam na casa em frente a minha para consolar a família. O filho, provavelmente o caçula, perdeu a vida naquele acidente de moto no Tribess, ocorrido por volta das 19h. Tinha 20 anos.

Pouco conheço meus vizinhos, mas a simpatia deles era uma marca. A casa estava sempre cheia.

Fernando Marcos Cunha Júnior, o menino que nos deixou, gostava de carros rebaixados e motos de trilhas. Estava sempre lavando, lustrando. Eu acompanhava tudo à distância, da minha janela. O vi ainda neste final de semana.

Comprou sua moto 600 cilindradas na semana que passou, comemorou a conquista do “sonho” em suas redes sociais.

moto-e-carro

Agora não está mais aqui. Uma verdadeira romaria esteve na casa desta família durante a noite desta segunda-feira e no começo da madrugada desta terça.

Eu não tive coragem. Não sabia o que dizer para aquele pai, para aquela mãe que me cumprimentaram tão simpaticamente no período da manhã.

Mas passei a noite pensando neles, pensando naquela família. Nos sonhos e na finitude da vida.  O que era para ser uma nova etapa, foi o fim.

O trânsito é um flagelo social. Não tem culpados, mas somos todos responsáveis.

Fica bem Fernando Marcos Cunha Júnior, esteja onde estiver. Nunca conversamos, mas lembro de seu sorriso.

Que você ilumine os caminhos de quem fica, em especial, do seu pai, de sua mãe.

2 Comentário

  1. Minhas condolências à família. Com a afirmação, creio ser uma dor imensurável.
    Força a toda família que sofre pela perda desse garoto.

    Em tempo, parabenizo ao Alexandre, pela humanidade, carinho e sofrimento com que demonstrou nesse seu enorme gesto de despedida para com o garoto e seus vizinhos.

    Pouquíssimos ou raros, teriam essa sabedoria e “coragem” em deixar seu coração falar mais alto.
    Parabéns, pela homenagem.

  2. Caro Alexandre, parabéns por este verdadeiro depoimento. Perdi um irmão em acidente de carro há vinte anos – posso dizer que não é fácil. No caso do acidente dele, ficou evidenciada a imprudência em vários aspectos na época, mas isso não muda a dor, obviamente. No entanto, a vida caleja o ser humano, e junto à tristeza por uma notícia assim, automaticamente vem à mente: qual o contexto? Desconheço completamente as causas desse acidente e não posso nem quero julgar, mas queria deixar uma mensagem: todos nós que conduzimos veículos, deveríamos, antes de ligar o motor, pensar que faremos falta, se não chegarmos ao destino. Prudência e serenidade são palavras de ordem em nosso trânsito cada dia mais violento e conturbado.

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