Desfile com blindados e Bolsonaro ocorre no dia da votação da PEC do voto impresso

Foto: Guilherme Mazui/G1

A Marinha passou com blindados e outros veículos militares em frente ao Palácio do Planalto para entregar um convite ao presidente Jair Bolsonaro na manhã desta terça-feira, 10. O convite é para que ele compareça a um treinamento de militares das três forças que será feito em Formosa, Goiás, na região do Entorno do DF, a partir do dia 16.

O ato na Esplanada dos Ministérios, com veículos que saíram do Rio de Janeiro, ocorreu no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados tem previsão de votar a proposta do voto impresso (leia mais abaixo) e gerou críticas de parlamentares que consideram o desfile um tipo de tentativa de intimidação.

O voto impresso é defendido por Bolsonaro e aliados, mas a maioria dos partidos na Câmara já sinalizou que vai votar contra. A proposta já foi derrotada na comissão especial, mesmo assim o presidente da Câmara, Arthur Lira, decidiu levar o tema ao plenário.

Na segunda-feira, 9, quando se tornou público que a Marinha faria o desfile, Lira classificou a situação de uma “trágica coincidência”.

Treinamento é anual, mas desfile não é comum

A chamada Operação Formosa, para a qual Bolsonaro foi convidado, ocorre todos os anos desde 1988. É comum o chefe do Executivo ser convidado, mas não que haja um desfile militar no centro da capital federal para o convite.

Bolsonaro recebeu o convite no alto da rampa do palácio, das mãos de um militar. O presidente estava acompanhado de ministros do governo e dos comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica. Todos sem máscara contra a Covid.

Entre os ministros presentes estavam: Ciro Nogueira (Casa Civil), Braga Netto (Defesa), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Milton Ribeiro (Educação).

Manifestantes

Durante o ato militar, havia na Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto, alguns manifestantes contrário e favoráveis a Bolsonaro.

Os contrários pediam o impeachment do presidente. Os favoráveis reivindicavam causas inconstitucionais, como um golpe militar.

Parlamentares reagem

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e a deputada Tabata Amaral (sem partido-SP) entraram com uma ação na Justiça a fim de proibir a exibição militar. A ação acabou rejeitada.

“É um absurdo gastar recursos públicos em uma exibição vazia de poderio militar. As Forças Armadas, instituições de Estado, não precisam disso. Os brasileiros, sofrendo com as consequências da pandemia, também não precisam. O Brasil não é um brinquedo à disposição de lunáticos”, afirmou Alessandro Vieira em nota divulgada pela assessoria.

Vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM) afirmou em uma rede social não querer crer que a exibição militar seja uma “tentativa de intimidação” por parte de Bolsonaro.

“Sobre essa história de tanques nas ruas, não quero crer que isso seja uma tentativa de intimidação da Câmara dos Deputados mas, se for, aprenderão a lição de que um Parlamento independente e ciente das suas responsabilidades constitucionais é mais forte que tanques nas ruas”, escreveu.

Em rede social, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que “colocar tanques na rua” é demonstração de “covardia”. “Os tanques não são seus, pertencem à Nação. Quer tentar golpe sr. @jairbolsonaro? É o crime que falta para lhe colocarmos na cadeia”, publicou.

Diante do anúncio de que haverá a exibição nesta terça, o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) informou que organizará um ato de parlamentares no Congresso a favor da democracia.

“Estou organizando um ato amanhã [terça-feira] em repúdio à tentativa do presidente de intimidar o parlamento com tanques, reuniremos um grupo de deputados na rampa do congresso com cartazes em defesa da democracia”, afirmou.

Fonte: G1

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