Análise | Quando o tiro sai pela culatra

Foto: Divulgação/ Truth Social

Em um primeiro momento, um gol de placa, daqueles que você comemora e vê a chance de seu time virar o jogo e equilibrar a partida. Em seguida, o gol contra, daqueles que você não sabe explicar como aconteceu.

Acuado pelas revelações de ter recebido R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro e do Banco Master para, supostamente, financiar o filme sobre o pai, Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente, foi para os Estados Unidos para tentar uma cartada que fizesse a opinião pública esquecer o envolvimento dele com o banqueiro mais enrolado da atualidade no país.

E conseguiu. Primeiro, uma foto com o presidente americano Donald Trump, numa visita rápida, mas que garantiu a narrativa. Depois, dois encontros com assessores diretos — e importantes — do governo dos EUA, que pareceram mais consistentes.

O tema da conversa, segundo Flávio, foi a segurança pública e a controversa proposta de enquadrar facções criminosas como PCC e Comando Vermelho como terroristas. No dia seguinte, o governo Trump anuncia o enquadramento.

Ponto para Flávio Bolsonaro, dentro deste imaginário de que esta seria uma solução mágica.

Só que, uma semana depois, no mesmo dia em que pela primeira vez se manifesta publicamente sobre o encontro com Flávio Bolsonaro, com a postagem de uma foto nas redes sociais, o governo Trump anuncia a possibilidade de um novo tarifaço para o Brasil, e um dos pontos mais criticados pelos americanos é o Pix, que a família Bolsonaro tenta dizer que é iniciativa do ex-presidente, mas na verdade é do Banco Central, ainda na gestão de Michel Temer (MDB).

Quem não lembra da camisa “O Pix é de Bolsonaro”, que o pré-candidato Flávio Bolsonaro desfilou em Santa Catarina no começo de maio? Pois é, agora o seu aliado americano quer taxar o Brasil por supostamente o Pix prejudicar os interesses das empresas americanas, em especial as de cartão de crédito.

O primeiro tarifaço dos americanos, no começo do ano passado, aconteceu depois da pressão do irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro — e de seu assecla Paulo Figueiredo — nos ouvidos de Trump e dos assessores dele. Tarifaço este que chegou a ser comemorado por Eduardo, mas que repercutiu negativamente junto a parte significativa da base do bolsonarismo, que sentiu no bolso os reflexos das movimentações lesivas feitas pelo ainda deputado federal — Eduardo foi cassado por faltas depois.

Agora, depois da visita do irmão candidato, depois dele receber um elogio público do presidente Trump, nova sinalização de tarifaço.

Gol contra ele próprio e, principalmente, contra o Brasil. Se bobear e seguir nesta toada de desgaste, pode ser substituído antes da partida terminar.

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