O recente episódio envolvendo Michelle Bolsonaro gerou debates, críticas e interpretações diversas. Isso é próprio da democracia. A divergência de ideias faz parte da política e fortalece a vida pública.
Mas, para além das posições partidárias, o caso nos convida a uma reflexão maior: será que homens e mulheres são submetidos aos mesmos critérios quando ocupam espaços de influência e liderança?
Escrevo estas linhas como mulher e como presidente partidária. E justamente por vivenciar a política no dia a dia, aprendi que determinados desafios ultrapassam siglas, ideologias e preferências eleitorais.
As mulheres ainda carregam um peso diferente na vida pública.
Homens costumam ser avaliados prioritariamente por suas decisões, estratégias e resultados. Mulheres, além disso, frequentemente precisam responder por sua aparência, pela maneira como expressam sentimentos, pelo tom de voz, pela vida familiar e até mesmo pela legitimidade de ocupar determinados espaços.
Quando um homem demonstra firmeza, é visto como líder. Quando uma mulher age da mesma forma, não raramente recebe adjetivos que nada têm a ver com sua competência ou capacidade de trabalho.
Essa realidade não pertence a um único partido. Ela atravessa toda a sociedade brasileira.
Ao longo da minha trajetória, conheci mulheres extraordinárias que constroem a política todos os dias sem jamais disputar uma eleição. Lideram ações sociais, organizam comunidades, acolhem famílias e mobilizam pessoas em torno de causas coletivas. Exercem influência, promovem transformações e fortalecem a democracia a partir do serviço e da participação cidadã.
A política não se limita aos cargos eletivos. Ela também se manifesta no compromisso com o próximo e na disposição de servir à coletividade.
Por isso, é fundamental que as mulheres sejam reconhecidas por suas ideias, por seu trabalho e por suas contribuições, e não submetidas a critérios diferentes daqueles aplicados aos homens.
Independentemente das convicções políticas de cada um, o respeito às mulheres que escolhem participar da vida pública deve ser um valor compartilhado por toda a sociedade.
Uma democracia verdadeiramente madura é aquela em que homens e mulheres podem ocupar espaços de liderança sendo avaliados pelas mesmas medidas, enfrentando os mesmos desafios e recebendo o mesmo respeito.
Esse ainda é um caminho em construção. Mas é um caminho que vale a pena percorrer.
Giane dos Santos – presidente PP Mulher de Blumenau




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