O termo da manchete deste post ouvi de um ex-comandante da PM em Blumenau, ao se referir às constantes blitz e operações policiais que ele liderava na cidade. Entendia ser importante que a população percebesse o policiamento nas ruas, independentemente do resultado das abordagens. Entendia, com razão, que passava uma sensação de segurança à população.
Vários fatores contribuem para esta “sensação”, como uma iluminação adequada, urbanização do ambiente, movimento, confiança nas instituições e até uma comunicação assertiva, que vá ao encontro dos anseios da comunidade.
É isso que o prefeito Egidio Ferrari (PL) tenta passar neste momento, com a crise gerada pela impossibilidade de renovar o contrato com a Orcali para o serviço de vigilância armada nas escolas e CEIs da cidade e o anúncio de que ele será substituído por porteiros, pessoas desarmadas. Dar uma resposta, mesmo que a efetividade dela vá demorar.
Blumenau foi a cidade onde aconteceu a última grande tragédia envolvendo morte de crianças numa unidade de ensino, o brutal assassinato de quatro crianças na creche Cantinho Bom Pastor, em abril de 2023. A barbárie gerou um medo coletivo e a necessidade de se tomar decisões controversas, sem uma avaliação técnica criteriosa, que abriu brecha para o escândalo revelado pela operação Sentinela, realizada pelo GAECO em maio.
Nesta semana, a cidade foi pega de surpresa com a decisão da Prefeitura, inclusive pela forma de se comunicar, gerando um desgaste muito grande para administração municipal junto a população e na Câmara Municipal. E, sem ter muito o que fazer, a gestão aposta numa solução midiática.
Antecipa o anúncio da criação da Secretaria de Segurança Pública — e posteriormente da Guarda Municipal Armada —, coloca um policial civil no comando e aponta uma série de medidas de inteligência para controlar o ingresso nas escolas. Nenhuma das soluções encaminhadas tem uma perspectiva real de serem implementadas num curto prazo de tempo, ou seja, para atender aos anseios de pais e profissionais da comunidade escolar que estão com medo de como ficará a segurança a partir do dia 26 de junho, quando acaba a prestação de serviço da Orcali.
Já escrevemos aqui. O Informe sempre entendeu que a vigilância armada não era a solução para a violência naquele momento, praticada de forma isolada, por um maluco, um psicopata. Foi a solução que o clamor popular obrigou depois do atentado.
A Prefeitura teve um ano e meio para rever o contrato e só está fazendo agora pelas circunstâncias determinadas pelas investigações do GAECO. Mas o faz sem articulação política e nem debate com a sociedade.
E apela para a tal sensação de segurança.






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