Para onde vai o PMDB de Blumenau ?

Foram pelo menos duas reuniões de filiados do PMDB de Blumenau nesta semana. Uma, ampliada, no Olímpico, onde participaram entre 80 e 100 pessoas, na segunda-feira, 25. Outra, terça,  no Vasto Verde, com um grupo mais reduzido, entre 20 e 30, ligado ao ex-presidente Paulo França e do pessoal que dá as cartas no partido há pelo menos 20 anos.

Em ambas, predominou a necessidade de se chamar uma convenção municipal o quanto antes. Definir uma data. Mas a tese não é compartilhada pelo presidente da Comissão Provisória, João Natel e o grupo que ele lidera, respaldados pelo presidente estadual, deputado federal Mauro Mariani.

São duas incertezas grandes em um ano eleitoral: o que o PMDB de Blumenau quer para 2016 na cidade e quem estará comandando o partido.

A angústia é grande entre os pré-candidatos a vereador: “muita instabilidade”, “qual legitimidade da Comissão Provisória negociar alianças”,  “partido fica em uma situação muito incerta”, são expressões usadas para simbolizar este momento  A preocupação deles é de ordem prática. A Comissão Provisória, leia-se João Natel, tem até o dia 14 de março para chamar a convenção. É um prazo razoável. Mas pode prorrogar por mais 90 dias. Nesta eventual hipótese muita gente ficaria sem rumo.

Em conversas internas, alguns já sinalizam em retirar o nome da nominata de vereadores e outros até trocar de sigla, caso a indefinição prossiga. Para trocar de partido o prazo é começo de abril.

A outra angústia é saber o que se passa na cabeça do deputado Mauro Mariani, presidente do partido. Ele impôs a Comissão Provisória, sem diálogo com quem estava aqui, nomeando um filiado recém chegado. Mesmo com todo o peso que tem, o reitor João Natel sentou no volante do PMDB, sem conhecer o partido.  Tem a tarefa de aglutiná-lo .

Não sei se tem perfil para isso.

Para dizer que não tentei entender o que pensa o presidente do PMDB, quero declarar que foram algumas tentativas. No celular dele e via assessoria de imprensa. Dez dias ou mais. Ouvi falar que “não se esquiva de resposta”, mas se esquivou.

Criou o abelheiro e não quer meter a mão.

Mauro Mariani vê Blumenau por cima, na ótica eleitoral do PMDB catarinense, com vistas a 2018. Se tivesse interesse no projeto político do partido na cidade, estava aqui tentando resolver o problema.

Especula que possa transformar a sigla aqui em moeda de troca.  Já corre nos bastidores uma eventual aliança com o PSD. Com o partido de vice.

Foi assim em 2012. Este é o PMDB.

No encontro de terça, definiu-se por um encaminhamento feito pelo vice-prefeito Jovino Cardoso Neto, no encontro de um grupo daqui com Mariani, no dia 15 de janeiro, noticiado pelo Informe.  Marcar uma reunião oficial com a Executiva Estadual, para o começo de fevereiro.

No de segunda-feira, marcaram um outro encontro ampliado, para daqui a 15 dias. A pauta é a mesma. A necessidade do presidente da Comissão Provisória conhecer e ouvir o partido. Protocolar.

Bastidores

O ex-prefeito Dalto dos Reis voltou a colocar seu nome para uma eventual candidatura própria. Foi bem recebido na reunião de segunda. Jovino Cardoso Neto também, mas para qualquer coisa.

O reitor João Natel foi muito cobrado. “Vai ficar fazendo reunião até quando?”, foi um questionamento ouvido. Relataram-me que, em um momento da reunião, ele teria se queixado: “eu não tomei o PMDB de assalto”.

Além da tecla da convenção, na reunião ampliada de segunda-feira muito se falou em mudança e renovação no PMDB. A ideia de sangue novo e de uma candidatura a prefeito seduz os filiados e simpatizantes. “Paulo e César já deu” , foi outra expressão relatada na reunião, em referência a Paulo França e Cesar Botelho.

A presença de muitas pessoas de fora do partido chamou a atenção na reunião ampliada de segunda. Foram considerados como potenciais filiados.

Uma pessoa próxima ao reitor João Natel me garantiu que a convenção será chamada para 14 de março, quando encerra-se o primeiro prazo. “estamos trabalhando na unificação, por uma chapa única”, garantiu.

“Aqui se paga o preço das eleições em 2018”, frase que ouvi entre tantas, das seis conversas que tive sobre as reuniões do PMDB de Blumenau.

 

 

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