Opinião: construído assim…

Foto: Agência Brasil

Enquanto existem engravatados debatendo o fim do sistema único de saúde, existem homens e mulheres desesperados implorando por mais saúde. Verifica-se que é notório que o Brasil é o país das desigualdades, mas é notório que o país foi idealizado para ser o país das desigualdades?

O ministro Paulo Guedes desabafou. Informal e com seu jeitinho carioca, como em uma conversa de boteco, colocou para fora o pensamento que lhe incomodava: viajar não é um direito de todos, prosperidade não é um direito de todos. Aliás, este não é somente o seu pensamento, mas é o pensamento de muita gente. 

Os ricos e pobres estão distantes e não há interesse em aproximação. O filme Parasita exemplifica o exposto em uma cena comovente: enquanto a parte pobre da cidade luta para salvar os seus móveis devorados pelo alagamento decorrente chuvas, a parte rica comemora o ar puro causado pela mesma tempestade. A desigualdade é um problema mundial, Leandro Karnal explica que na independência dos Estados Unidos havia medo que o ideal de liberdade inspirasse os negros e pobres. Porém, há a impressão que no Brasil a desigualdade é ainda mais latente. Darcy Ribeiro escreveu que, se há um país no mundo construído para os mais ricos, este país é o Brasil. O historiador Leandro Karnal explica que uma das principais diferenças do Brasil em relação aos Estados Unidos é o fato do Brasil ter tido um projeto de colonização organizado e sistemático. Verifica-se que é um país de elites e construído para as elites. 

Paulo Guedes não possui noção do que é a pobreza. O ministro fala que pobre não sabe poupar e que somente pode viajar para Foz do Iguaçu. Guedes é a cara de um país desigual. A distância entre os ricos e os pobres não é só física, mas sim cognitiva. O pulo do gato é o fato de tudo ter sido devidamente construído para ser assim.

Extraindo a essência de Darcy Ribeiro, verifica-se que o escritor nunca esteve tão certo, a desigualdade é um projeto de poder.

 

3 Comentário

  1. A fala do Paulo Guedes sobre as domésticas/disney demonstra o pensamento liberal conservador desse governo. O que foi dito não pode ser desdito e isso representa que as mascaras caíram de vez. Ninguém mais pode negar que existe um projeto de governo para aumentar as diferenças entre a elite conservadora e a classe trabalhadora.
    Só perdemos. Perdemos na educação, perdemos no meio ambiente, perdemos na agricultura, perdemos na cultura. Perdemos nas relações exteriores. E o mais importante, perdemos a laicidade do Estado.
    Bom, trocamos Paulo Freire por um astrólogo que se auto denomina filósofo. Queríamos o que?

  2. Felipe, a maior desigualdade houve nas gestões golpistas esquerdistas anteriores que destruíram o país. Levará muito tempo a recuperação.
    Mas hoje já vemos a maior queda da inflação, juros e desemprego caindo, PIB e bolsa em alta. Investimentos nacionais e estrangeiros surgindo o que trará mais empregos.

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