A denúncia íntegra do sistema

Foto: site alexandrefm.blogspot.com

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Aroldo Bernhardt

Professor

 

O ser humano é um animal político, diziam os clássicos gregos. E diziam mais – a política deve passar ao largo da racionalidade centrada no cálculo de conseqüências, caso contrário descamba para justificativas do tipo “os fins justificam os meios” ou “é dando que se recebe”. Esse é um raciocínio que coloca o agente no tênue limite entre a ética e a moral.

Em outras palavras a ética no sentido clássico, ainda não conspurcado pelo mercado, é inseparável da política, caso contrário se transforma em balcão de negócios, metáfora esta que sintetiza a moral dominante.

A prática continuada da política preponderantemente orientada pelo pragmatismo, ou, em outros termos, a prevalência da racionalidade típica do mercado (e, portanto do mercador) são certamente a causa filosófica do crescente afastamento e ojeriza do povo pelas coisas da política. Por conseguinte, atitudes políticas meramente calculistas são culturalmente condenáveis, socialmente irresponsáveis e politicamente deploráveis porque deseducam, discriminam e prejudicam a democracia.

Táticas de negociação do tipo ganha-perde, estratagemas de negociação centradas no blefe e no engodo, o emprego das falácias, da calúnia e da mentira não podem mais ter espaço. Quem sabe fazer a hora opta para o embate das idéias e dos projetos, entende que as disputas não podem ser um jogo de cartas marcadas porque esse o caminho de retorno ao velho, ao roto, à mesmice.

Evidentemente os espertos dirão que se basear em valores é ingenuidade, que no fundo todos procuram o melhor para si ou para os seus e, arrematarão – sempre foi assim. Contudo, lembrando Kant, “nada é mais censurável do que deduzir as leis que determinam aquilo que deveria ser feito daquilo que é feito.”

Por isso há urgência e premência na reforma política. Não se trata somente de reforma na legislação político-eleitoral. O Brasil carece de reforma no pensamento e na prática da política. Precisa de atenção para com o bem-comum, dispensa as negociatas. O povo está cansado e desacreditado da política.

Quem duvidar que pergunte ao cidadão comum, e confirmará o que o povo pensa dos políticos em geral.

Finalmente, a denúncia íntegra do sistema corresponde a romper aqueles que persistem nas velhas práticas. Que a campanha eleitoral que se avizinha nos dê esperanças.

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