A escalada

Em eleição, estamos acostumados a perceber tendências. Uma candidatura que estagnou, uma que está em queda livre ou uma que está na crescente. É a que sinaliza a de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência da República. Ganhou um fôlego na reta final do primeiro turno, fez um resultado além do detectável pelas pesquisas e começa este segundo turno numa espiral de crescimento.

Virou o segundo turno da partida eleitoral com Flávio Bolsonaro cerca de 2,2 milhões de votos à frente de Lula (PT). Nesta segunda-feira, o candidato do PL contabilizou apoios importantes dos demais candidatos do primeiro turno, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Eles fizeram quase 3 milhões de votos na primeira fase da disputa. Sabemos que a transferência não é automática, mas é possível prever que grande parte destes eleitores votará no 22 e não no 13.

Ou seja, a tendência é crescer mais.

Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) fizeram pouco mais de 6 milhões de votos. Ainda não declararam apoio a nenhum dos dois candidatos, mas estes votos, em sua grande maioria, devem ir para Flávio ou mesmo se abster, o que segue bom para ele.

Por baixo e numa matemática grosseira, podemos contabilizar uma dianteira de cinco milhões de votos para o presidenciável do PL após estes apoios e o resultado do primeiro turno.

Resta a Lula e ao PT tentar fazer com que os mais de 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas em 4 de outubro façam isso no segundo turno. E mais, fazer que eles votem no 13. Li, na Folha de São Paulo, que os petistas buscarão atrair os quase 8 milhões de nordestinos que não foram votar. É a única região do país em que Lula levou vantagem.

Mas tem os demais 25 milhões das outras regiões que deram a vitória ao 22.

Portanto, a escalada de votos de Flávio Bolsonaro, mais que uma tendência, é uma realidade.

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