Entre Nós | Lei garante licença remunerada para cuidar do pet doente

Foto: reprodução

A chuvosa Blumenau é linda, não é? Acho que a beleza da cidade é proporcional ao tamanho desejo por desenvolver boas polêmicas. Por dever de ofício, participo de muitos grupos relacionados ao mundo pet. Tantos destes acordaram, nesta cinzenta quarta-feira (29), em um misto de euforia e revolta. Parte celebrando e defendendo o projeto do vereador Jean Volpato de criar a Farmácia Veterinária Popular, outra criticando, entre diversos pontos, o fato da elogiosa iniciativa ser de um jovem e estreante parlamentar filiado ao Partido Dos Trabalhadores (PT).

É muito curioso que neste nosso tempo, em que tudo é observado com o filtro ideológico de cada um, pouco importa a relevância da pauta, se o benefício ou o malefício afetará pessoalmente o indivíduo. Mas, propriamente, esta reflexão não é o foco desta coluna. Embora possua conexão com o tema principal de hoje.

Vem da Itália, atualmente governado por um partido de extrema-direita, um dos exemplos mais progressistas na área pet. Por lá, aprovaram uma lei que garante anualmente até três dias de licença remunerada para tutores que precisam cuidar de um animal doente. Um avanço real, concreto, que reconhece o que qualquer tutor já sabe: quando o cachorro adoece, você não consegue trabalhar mesmo.

Na prática, aquilo que os legisladores italianos aprovaram é o reconhecimento que todas as vidas importam. E, também, que a sociedade está, constantemente, atualizando o sentido da palavra “família” – no dicionário e na vida real. Humanos e animais compartilham, neste século, relações multiespécies que vão além das tradicionais escolhas de outros períodos da história. O mundo gira e muda em cada rodopio.

Esta certa equiparação legal de um pet a um filho humano pode parecer exagero geracional. Acontece que em todo planeta os parlamentos discutem o assunto a sério. Espanha, Inglaterra, França, por exemplo, estão revisitando regras para o convívio dentre tutores e patudos. A Alemanha, inclusive, possui até imposto anual para a guarda de um cão ou gato.

Enquanto a Itália aprova licença remunerada para cuidar de pets, no Brasil foi sancionado pelo presidente Lula, no início deste mês de abril, a lei da guarda compartilhada de animais de estimação. Assim, em escalas diferentes, mas seguindo um mesmo movimento, o que a Câmara de Vereadores de Blumenau aprovou não é desarrazoado de propósito. É um debate válido este de criação de uma farmácia veterinária popular. Certa maneira, todos discutem uma forma de colocar os animais no lugar que merecem.

As polêmicas e cada um dos questionamentos relacionados aos pets carregam um tanto de poesia torta. A causa animal não tem partido. Não deveria ter, pelo menos. O blumenauense que não tem condição de pagar por um antibiótico para o seu cão não quer saber se o projeto é do PT ou do PL. Precisa que o remédio esteja disponível. E, ao fim, é uma vida em sofrimento que terá o alívio do atendimento correto.

Tomara que todos estes exemplos legislativos representem também melhorias reais para a sociedade e os nossos animais de estimação. O mundo pet está mudando. Que as inspirações continuem a permitir novos passos para um convívio mais harmonioso multiespécies.

Estas informações, em mais detalhes, estão disponíveis em entrenospet.substack.com.

Tarciso Souza, jornalista e empresário

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