Simplificando, é possível dizer que retórica é a arte da persuasão e do argumento, e narrativa é a estrutura que organiza os eventos em uma história factível. E é na política que estas duas formas de se expressar se cruzam com intensidade, ainda mais em períodos eleitorais como o que vivemos no Brasil.
A semana foi pródiga para os dois principais candidatos à presidência da República, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). E cada um conquistou pontos importantes junto aos seus eleitores, além de atrair a atenção daqueles que ainda não definiram seu voto.
Os dois exploraram temas que são caros a qualquer cidadão: segurança pública e dignidade humana.
Cenário 1
Em ano eleitoral, o governo Lula (PT) conseguiu aprovar com ampla maioria na Câmara dos Deputados o projeto que acaba com a jornada 6×1, com um forte apelo humano. Defendendo o trabalhador contra as elites econômicas, sai com a imagem fortalecida de que é um político voltado para a pessoa, um humanista, preocupado com as pessoas, em especial os mais pobres. E deixa no ar dúvidas sobre qual lado está o seu adversário, das peças ou do poder econômico.
Cenário 2
Acuado com a revelação do seu envolvimento com Daniel Vorcaro e o Banco Master, o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) foi para os Estados Unidos em busca de uma foto. E conquistou mais que isso. Trouxe de lá o anúncio de que o governo Trump qualificará facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas, gerando a sensação de que é um político articulado internacionalmente e preparado para enfrentar o crime organizado. De lambuja, cria a imagem de que o governo Lula é omisso neste segmento e que o PT compactua com criminosos.
As narrativas foram criadas e já passaram a ser exploradas como forma de persuadir eleitores e possíveis eleitores. Os dois, Lula e Flávio, sabem que de fato nada deve mudar a curto prazo, mas conquistam um discurso para chamar de seu nesta campanha eleitoral.




Seja o primeiro a comentar