Opinião: nas últimas 24 horas caiu um avião, só que ninguém percebeu…

Fonte: Agência Senado

Era madrugada de uma terça-feira de novembro de 2016 quando a notícia de uma tragédia chegou dos arredores de Medellín na Colômbia. O avião que levava a equipe de futebol da Associação Chapecoense de Futebol chocou-se com uma serra matando o elenco, treinador e profissionais da imprensa que acompanhavam o time. Como de costume após grandes tragédias, o acidente provocou comoção no mundo inteiro. De repente, mesmo aqueles que não acompanham o cotidiano do futebol passaram a consumir e compartilhar notícias sobre o “Furacão do Oeste”.

A contrição por conta do desaparecimento do time era demonstrado por filtros nas redes sociais, “força chape”, “eternos campeões” e outros. Hoje, passados pouco mais de quatro anos, a tragédia ainda é lembrada e o estádio do time transformou-se num ponto turístico do estado de Santa Catarina. Turistas, mesmo torcedores de todas as equipes de futebol fazem questão de visitar a Arena Condá e conhecer as homenagens aos finados da tragédia na Colômbia.  Morreram naquela fatídica madrugada 71 pessoas.

O avião utilizado no voo era um BAe 146 (RJ-85) da empresa venezuelana Lamia (Línea Aérea Mérida Internacional de Aviación), transportava 81 pessoas, sendo 72 passageiros e sete tripulantes. Na aviação é considerado um aparelho de médio porte, por possuir capacidade menor de 100 passageiros. Um avião que faz voo comercial carrega em média 500 passageiros. 

Escrevo essa crônica no dia 16 de fevereiro de 2021. As manchetes e as notícias que chegam do oeste do estado é que a região, agora, é vítima de uma nova onda da Covid-19. Com os leitos de UTIs (Unidade de Tratamento Intensivos) lotados, a região começa exportar doentes para outras regiões do estado.  Até o dia 13 de fevereiro a capital do oeste contabilizava 151 mortes por Covid 19. Santa Catarina até ontem 6.746 pessoas foram vitimadas pela peste, e o Brasil já soma 239.773 mil pessoas. Só nas últimas 24 horas foram 528 óbitos. 

Olhando os números de mortes provocados pela Covid 19 no Brasil, o tamanho do desastre é o mesmo que a queda diária de avião comercial. Se as considerarmos desde o primeiro falecimento em março de 2020, chegaríamos a quase 480 aviões. Em Santa Catarina os números encheriam 13 voos comerciais. São números de uma guerra. Todos os dias lemos e recebemos notícias sobre o falecimento e novos contagiados que, infelizmente, tornam-se estatística cotidiana. Nem mesmo aqueles rituais mórbidos em que prefeitos e secretários de Saúde atualizavam os números existem. 

É como se o vírus possuísse um habeas corpus preventivo para matar. A morte tornou-se cotidiano e infelizmente nos acostumamos com ela. Os que tentam justificar esses números, apontam que a moléstia é apenas uma gripezinha e que temos que voltar a vida normal, as vítimas, na sua maioria são idosos e já com comorbidades. Nem mesmo a vacina vira opção. 

A economia não pode parar, em outras palavras, não vale a pena proteger as vítimas para sacrificar o mercado, O deus Mamon moderno. Aquele, relatado no antigo testamento e que pedia crianças como sacrifícios. Ontem, uma semana depois do início das aulas presenciais em Blumenau foram seis pessoas infectadas, entre professores e alunos. Resta-nos interceder aos céus que eles não entrem nesse avião.

2 Comentário

  1. Enquanto os avioes vão caindo, o inominavel continua seu negacionismo (até pescando em SC), libera armas (talvez sirvam para matar virus) e o paspalho ministro da saúde, especialista de logística não consegue resolver a questão da vacina!!

  2. Muito bom, Josué! Como faço para receber todas as tuas colunas?

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