A Comissão Processante da Câmara de Blumenau realizou, na manhã desta segunda-feira (4), a oitiva de testemunhas indicadas pela defesa no processo que apura possível quebra de decoro parlamentar por parte do vereador afastado Almir Vieira (PP).
Ao todo, foram ouvidas oito das nove testemunhas previstas. Uma delas não compareceu à sessão. Os depoimentos ocorreram no plenário, em reunião conduzida pelo presidente do colegiado, vereador Egídio Beckhauser (Republicanos).
Entre os ouvidos estão, em sua maioria, ex-servidores do gabinete do parlamentar, além do ex-secretário municipal de Esportes, Paulo Roberto Mundt, e do presidente da Associação de Veteranos do 23º Batalhão de Infantaria, Juliano Luiz Bilau.
Durante a oitiva, as testemunhas falaram sobre suas relações com o vereador Almir e responderam a questionamentos formulados pelo advogado de defesa, dentro da fase de instrução do processo.
Conforme definido pela comissão, os depoimentos foram realizados de forma sequencial, garantindo a regularidade dos trabalhos e o cumprimento das normas processuais. As oitivas foram integralmente gravadas e serão disponibilizadas no canal oficial da Câmara no YouTube.
Vereador afastado presta depoimento pela primeira vez
Na sequência, a comissão realizou o interrogatório do vereador afastado Almir Vieira, marcando a primeira manifestação pública do parlamentar desde os fatos que deram origem ao processo.
Durante o depoimento, Almir afirmou não possuir inimizade com o presidente da comissão, vereador Egídio Beckhauser. Questionado pelo relator, vereador Jean Volpato (PT), sobre as buscas realizadas em seu gabinete, declarou: “Fui dormir herói, acordei bandido”.
O parlamentar também afirmou estar à disposição para esclarecimentos e destacou que disponibiliza seus sigilos telefônico e bancário. “Estou aqui para provar os fatos, tirar dúvidas. Gostaria que não ficasse nenhuma dúvida”, disse.
Ao ser questionado pelo vereador Bruno Cunha (Cidadania) sobre valores em dinheiro apreendidos em sua residência, Almir alegou que os recursos eram utilizados na confecção de feijoadas e que toda a movimentação financeira foi declarada no Imposto de Renda. “Estou muito tranquilo no que diz respeito aos R$ 30 mil”, afirmou.
Indagado pelo presidente da comissão sobre a ocorrência no dia 3 de fevereiro de 2026, no âmbito da Operação Happy Nation, Almir relatou que foi conduzido pela Polícia ao 23º Batalhão de Infantaria e posteriormente ao gabinete para cumprimento de busca e apreensão. Ao final, declarou: “Se tiver culpabilidade, eu mesmo peço renúncia”.
Próximos passos
Assim, a Comissão Processante encerra a fase de instrução, respeitando o direito à ampla defesa e ao contraditório, dentro do prazo legal para conclusão dos trabalhos. A defesa fica intimada para apresentar razões escritas no prazo de cinco dias. Após, retornará à comissão para a elaboração do parecer final.
Fonte: Assessoria de Imprensa CMB



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