Opinião | Meu caro amigo, me perdoe por favor

Foto: reprodução

“Se não lhe faço uma visita”. Seja na música de Chico Buarque ou no jornalismo, “mas como agora apareceu um portador, mando notícias nessa fita”, e entre as mais importantes da semana, seguem os desdobramentos da investigação da Polícia Federal sobre possíveis desvios de dinheiro público em Alagoas.  Uma das suspeitas é que Luciano Cavalcante, assessor próximo ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), seja beneficiário de desvios na compra de kits de robótica.

Funcionário comissionado, o até então desconhecido assessor foi exonerado. Pois é, o amigo perdeu o emprego, mas por via das dúvidas, para Lira, “antes só que mal acompanhado”

Não que seja um caso isolado porque Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, voltou a ser notícia. Envolvido na tentativa de retirada das joias da Arábia Saudita, além da novela sobre o cartão de vacinação do ex-presidente, agora a Polícia Federal encontrou em seu celular uma minuta para um suposto golpe de Estado. Será que ele fez tudo por conta própria? 

Mas isso não é de hoje, e nem de um partido específico: e os amigos do Lula que, em qualquer investigação, fazem tudo sem ele saber de nada? Vai ver todo esse pessoal são as amizades que o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD) tanto falava para evitar…

“Não foi só por 20 centavos”

Nessa semana, os primeiros protestos contra os gastos e mais gastos do governo Dilma para a Copa de 2014 completaram 10 anos. Na época, ficou famoso o slogan “não vai ter Copa”, assim como o tuíte da presidente: “vai ter Copa sim, e se reclamar vai ter duas”. Enfim, ela acertou, o evento realmente foi realizado e, acredite se quiser, apesar de ter obra daquela época que ainda não ficou pronta, já tem gente falando em outra Copa aqui, agora a feminina, em 2027! 

Aliás, nas falas para lá de enroladas da Dilma, a ex-presidente tinha o seu lado profético. Uma das mais famosas foi: “nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder”. Vejamos: ela acabaria impichada, Lula preso, Temer governaria sob fogo cerrado e também acabaria preso, Bolsonaro segue rumo à inelegibilidade, e acabou dando errado até para o pessoal da Lava Jato, como comprova a cassação de Deltan Dallagnol. Para o povo, 10 anos de aperto e apreensão, em que a coisa piorou até para vendedor de camisa da seleção, que perdeu metade de seus clientes. 

No final de tudo isso, fica a dúvida: se os amigos têm ideias tão ruins, imagina então se os políticos andassem com seus inimigos? Para todo brasileiro, resta evitar as más companhias e seguir em frente porque, assim como na música do Chico, “aqui na terra, tão jogando futebol, tem muito samba, muito choro e rock’n’roll. Uns dias chove, noutros dias bate sol. Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta, muita mutreta pra levar a situação, que a gente vai levando de teimoso e de pirraça, que a gente vai tomando porque também sem a cachaça, ninguém segura esse rojão”.

Fernando Ringel, jornalista e professor universitário.

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