Opinião: imunidade de rebanho e genocídio

Imunidade de rebanho soa mal, né? Parece referente a gado. Mas, enfim, vamos lá. Existem duas formas de se atingir a imunidade em caso de epidemias e pandemias. A vacinal por intermédio da vacinação ampla ou a natural quando uma grande parte da população é infectada e se torna imune.

Contudo a ciência contesta a imunização sem vacina, segundo afirmou e evidenciou o professor e médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, fundador e ex-presidente da Anvisa. Mas é a “tese” preferida do Bolsonaro e seguidores.

Aliás o Dr. Vecina disse em alto e claro que: “Ele [Bolsonaro] quer que a gente chegue à imunidade de rebanho acabando com os suscetíveis. Só que, para atingir isso, a estimativa é de 1,2 a 1,3 milhão de mortes”.

Então com as delongas e a opção desumana adotada pelo governo federal o país já chegou a situação caótica de mais de 450 mil mortes. E nesse ponto o Dr. Vecina sentencia: “não tem conversa nessa questão. Vejam: ele não quer que use máscara, não quer que faça isolamento social, não quer comprar vacina. Qual é a consequência? É o que ele queria: que morresse muita gente”.

Tudo indica que a intenção presidencial (e de seus apoiadores) seria proteger a economia deixando tudo funcionar normalmente, ainda que às custas de incontáveis vidas. Isso com o evidente apoio daqueles cerceados por uma visão economicista da realidade.

Lamentavelmente, demonstrando sua total falta de empatia e preocupação com o “seu” povo, quando ao ser questionado sobre as mortes, Bolsonaro respondeu com uma pergunta cínica: “E daí?” .

Em paralelo, disseminou a defesa de um tratamento precoce baseado em medicamentos que a ciência já demonstrou que, além de ineficazes, podem provocar efeitos colaterais significativos.

Por tudo isso o indivíduo que ocupa a presidência vem sendo acusado de genocídio. Do ponto de vista etimológico há aí uma incorreção, visto que o termo significa a exterminação sistemática de pessoas tendo como principal motivação as diferenças de nacionalidade, raça, religião e, principalmente, diferenças étnicas.

Entretanto, do ponto de vista ético, no qual toda vida importa e sob a ótica da responsabilidade social e constitucional (ver artigo 60 da Carta Magna), o presidente comete crime continuado e deliberado ao minimizar a insegurança, o medo, a angústia e as mortandade da nossa gente.

Ademais, o que surpreendeu a quem não conhecia a trajetória de vida do Bolsonaro, desde o Exército, nos parlamentos em que esteve e agora na presidência e vem chocando a opinião pública internacional são suas falas grotescas, agressivas, homo fóbicas, machistas, racistas e negacionistas em relação às suas responsabilidades (costuma lançar culpa aos outros). Nitidamente ele revela atitudes típicas de um psicopata.

Assim, retirá-lo do cargo por interdição para tratamento psiquiátrico ou por impeachment não é somente uma questão política é, antes, uma questão civilizatória e humanitária.

5 Comentário

  1. Para ser isento, Alexandre, abra espaço a alguém que não possua vínculos político/partidário (como é o caso do ilustre professor Aroldo, filiado e militante no PT), para comentar sobre esse assunto.

  2. Olá José Bento, o espaço está aberto. Queres escrever?

  3. contato@informeblumenau. Mande com RG e me indique sua profissão e onde trabalha. Se tiver interesse, mande uma foto sua para colocarmos.

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