No meio do pântano, pode-se ver uma magnífica filha da mãe-natureza: a flor de lotus. É uma belíssima flor que nasce no meio da água lodosa, fétida, em razão de plantas decompostas. A imagem da flor foi usada, faz bom tempo, para expressar minha crença de que no meio do caos há uma réstia de esperança. A frase de tempos idos era: “A política chegou ao fundo do poço em matéria de moral. Mas não morreu a esperança de nascer uma flor no pântano”. O saudoso Saulo Ramos, jurista e sábio, e também um incréu, pinçou a alegoria em seu livro Código da Vida para atribuí-la aos “puros, os poetas, os idealistas”, referindo-se à este escriba, não sem fazer votos para que “eles tenham razão” na pregação.
Ainda conservo essa imagem da política; é possível distinguir no turbilhão de negócios escusos, interesses vis, emboscadas, balcão de recompensas, enfim, de coisas escabrosas, uma majestosa flor de lotus.
Mesmo depois de mensalões, descobertas feitas pela Operação Lava-Jato, dinheiro escondido, mutretas de todos os tipos, milhares de mortos tragados pela Covid-19, sob a política de terra arrasada desenvolvida por insanos, continuo a ver no meio do lamaçal pilares de uma ética em construção no edifício da política.
Vejo CPIs no Legislativo, discursos de cobrança, órgãos de controle sendo acionados, Judiciário passando pelo “corredor polonês” e questionado por defender interesses particulares de alguns de seus membros e Executivo acusado de descumprir as metas fiscais. Ao longo de três anos de seu 3º mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve contabilizar mais de R$ 300 bilhões em gastos extraordinários, ou seja, despesas que ficaram de fora das regras ficais.
É claro que certa dose de espetacularização impregna os corpos governativos, mas, depois de espremer as massas impuras, emerge um barril de vitamina ética, que revigora o nosso sistema democrático.
A bandeira ética que começa a ser desfraldada tem sido uma tendência não apenas brasileira, mas internacional, deslocando eixos tradicionais de poder para a sociedade. Aqui e alhures, grupos e setores cobram providências de governos e parlamentos, determinados a exigir medidas para seu bem-estar.
Que fatores que estão por trás dessa onda? Em primeiro lugar, o despertar da racionalidade. O Brasil descobre que o ciclo da emoção está cedendo espaço ao ciclo da razão. A sociedade toma consciência de sua força, da capacidade que tem para mudar, pressionar e agir.
O crescimento das cidades e, por consequência, as crescentes demandas sociais; o surto vertiginoso do discurso crítico, revigorado por pautas investigativas e denunciadoras; o sentimento de impunidade que gera, por todos os lados, movimentos de revolta e indignação; e, sobretudo, a organicidade social, que aparece na multiplicação das entidades intermediárias, hoje poderoso rolo compressor sobre o poder público – formam, por assim dizer, a base do processo de mudanças em curso.
O resultado dessa combinação é positivo. Uma sociedade pluralista propicia maior distribuição de poder, maior divisão de poder abre caminhos para a democratização social e, por conseguinte, a democratização da sociedade civil se expande e amplifica a democracia política. No Brasil, estamos caminhando firmes nessa direção e a prova mais eloquente da tendência se verifica na imensa rede de centros de poder instituídos em todos os âmbitos e níveis.
A formação desses novos centros, tanto no meio quanto nas margens da sociedade, tem por motivo a decepção do povo com seus representantes. Os partidos políticos constituem um ente amalgamado, massa pasteurizada e incolor. Como tenho lembrado, essa movimentação ocorre em nível mundial. As doutrinas se aproximam e se fundem. Observa-se um desempenho menos vigoroso dos aderentes do universo partidário, até porque as lutas políticas e sociais do passado – travadas sob o manto da clivagem ideológica – perderam sentido. A luta de classes dá adeus.
O oposicionismo que se exerce na atualidade se dá menos em função de uma visão ideológica de mundo e mais em função de projetos circunstanciais de poder, centrados na pragmática e inspirados nas vontades e expectativas dos novos polos de pressão da sociedade.
O processo político, no Brasil, se torna cada vez mais uma questão distrital, espacial. Cada ente federativo quer abocanhar uma fatia maior do bolo tributário.
Uma força ascendente, de baixo para cima e de fora para dentro, se desenvolve para reforçar a democracia representativa, inoculando-a com valores da democracia direta, entre os quais as manifestações e decisões dos cidadãos reunidos em assembleias de suas entidades, contrapondo-se a uma força descendente, de cima para baixo, representada pelas instituições do Estado, a partir dos três Poderes.
São evidentes os sinais de que o Brasil levanta a bandeira ética. Mas para entender até que ponto ela poderá ser erguida, há de se observar a dinâmica dos conjuntos sociais, dos eventos em curso nos cenários político, social e econômico. A ética trata das coisas do bem, do ideal da felicidade, das fontes de justiça, dos valores da amizade, da solidariedade e da dignidade. O esforço ético tem como eixo central a sociedade convivial, uma comunidade a serviço da dignidade humana e não de maior produção. Uma sociedade que lute para diminuir a distância entre o Estado e a Nação.
Aventureiros e oportunistas não terão tantas oportunidades como as que se apresentam na paisagem ainda pantanosa, onde começa a brotar uma flor de lotus.
Gaudêncio Torquato, escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor político




A Bandeira da ética, dignidade, do caráter só ficará hasteada quando o povo brasileiro agir com ética, dignidade e caráter . Temos políticos corruptos porque o povo os elege . O eleitor vota em qualquer um que prometa pão e circo, picanha e cervejinha, bolsa família, assistencialismo.
O mal do Brasil na política é o brasileiro , não sabe votar , reelege corrupto condenado em 9 instâncias , elege a maior parte dos deputados e senadores que respondem processos por corrupção e alguns casos , provados , mas na mão da corte suprema para chantagear estes mesmos políticos . O povo faz gato de luz, de água, estaciona o carro em local proibido, não respeita leis de trânsito, age exatamente como aqueles que elegeram. A mudança na política começa pelo povo e a arma que temos é a urna , mas esperar o que de um povo que reelege sempre os mesmo que estão lá a anos se beneficiando do poder . Vejam o caso do roubo do INSS, montaram quadrilha para roubar aposentados, muito político envolvidos, até irmão e filho do presidente da república .E não me refiro somente a esquerda , claro que em caso de corrupção sempre estão metidos , mas também tem político de direita de centro e de toda a espécie. Mas o culpado é o eleitor , que elegem e reelegem esta turma na esperança de manter o assistencialismo , que não é de graça , custa muito caro aqueles que produzem riquezas e realmente trabalham para sustentar este “mamadores” das tetas do governo .Atualmente esta “flor de Lótus” esta presa um lamaçal de narrativas e mentiras. O lamaçal tem nome , endereço e imagem , e quiçá o lamaçal que se criou na Venezuela e agora guardado em um recipiente que não consegue sair ,entregue suas ramificações e que o lamaçal seja expurgado do país para sempre. Nossa “Flor de lótus ” não conseguirá mais florescer como antes , mas deixou uma semente , que se o povo acordar , ajudará a florescer novamente a beleza neste país , mas antes temos que destruir o lamaçal que tomou conta do país e sufoca qualquer “flor” que queira mostrar sua “beleza .