Operadora de telefonia quer agilidade da Anatel em leilão do 5G

A TIM está solicitando mais agilidade da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para a realização do leilão das frequências que vão permitir o funcionamento do 5G no Brasil. A operadora deseja ver mais velocidade na implementação dessa tecnologia, principalmente pelo fato de já ter antenas capazes de funcionarem com ela e que estão sendo usadas para expansão de sua atual rede LTE.

Para o CEO da telecom, Sami Foguel, o temor é que o Brasil fique para trás nesse segmento caso a implementação do 5G demore demais para acontecer por aqui. Expectativas preliminares da Anatel indicam que os primeiros leilões do espectro que permitiria a instalação da rede aconteceriam no segundo semestre deste ano, mas o executivo disse que a ideia, agora, é que isso aconteça somente no início de 2021, com a tecnologia passando a funcionar somente em 2021.

A fala da TIM em prol de mais velocidade vai de encontro à solicitação de outra gigante do setor, a Claro. Em janeiro, quando fez sugestões durante a elaboração da agenda da Anatel para os próximos dois anos, a operadora pediu calma à agência e disse que os leilões deveriam ser realizados somente após a chegada dos primeiros aparelhos 5G ao mercado, algo que deve acontecer ainda neste ano, e posterior estudo da tecnologia, de forma a reduzir o risco dos altíssimos investimentos envolvidos nesse processo.

Esse trabalho é demorado e, na visão da Claro, os primeiros leilões do espectro a ser usado no 5G deveriam acontecer somente em 2021. Assim, afirma a empresa, o mercado pode agir de forma comedida e sem prejuízo ao equilíbrio financeiro das operadoras, com uma implementação acertada e com pensamento no longo prazo.

Foguel, por outro lado, acredita que uma instalação mais rápida colocaria o Brasil em um melhor alinhamento em relação ao restante do mundo, sendo fundamental para a nossa competitividade. Por isso a ideia de acelerar o leilão das frequências, etapa inicial para a plena implementação da tecnologia.

A TIM tem ressalvas quanto ao modelo de licitação a ser usado e pede que mudanças também sejam realizadas antes do leilão do 5G. Na visão da companhia, a ideia é que o intuito arrecadatório desse processo seja perdido em prol de uma reversão do dinheiro obtido em investimentos na própria rede. Assim, acredita a operadora, os players do setor serão incentivados a gastarem com infraestrutura e não com a aquisição do espectro em si.

Rede única

Outra proposta inusitada visando uma redução de custos foi feita pela operadora, que sugeriu a criação de uma rede conjunta de internet 2G e 3G entre as maiores telecoms do Brasil. Na visão da TIM, uma união com nomes como Claro, Vivo e outras permitiria a continuidade do funcionamento destas tecnologias legadas ao mesmo tempo em que privilegiaria os investimentos de cada uma delas nos formatos atuais.

Na visão do diretor de tecnologia da telecom, Leonardo Capdeville, a manutenção cara dessa infraestrutura não condiz com a queda cada vez maior em sua utilização. Entretanto, não é o caso, também, de simplesmente realizar um desligamento e conversão, uma vez que muitos serviços, como máquinas de cartão de crédito, ainda dependem do 2G e 3G para troca de dados e funcionamento.

A sugestão de unificação também está de acordo com outra estratégia recente da TIM, que vem realocando parte do espectro usado em conexões de velha geração para aumentar a qualidade e o alcance de sua rede 4G. A ideia é aumentar o tráfego nos sistemas de atual geração, mas manter os antigos funcionando, já que, na visão da TIM, simplesmente “puxar os plugues da tomada” está fora de cogitação.

Fonte: Telesintese e CanalTech

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