Onde está a economia forte?

Foto: Agência Brasil

Opinião aviso artigos terceiros

ulrich kuhn
ULRICH KUHN

Presidente do SINTEX – Sindicato das Industrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário

 

Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

É evidente a necessidade de reformas econômicas e fiscais no Brasil. Disso ninguém tem dúvidas. O que é preciso clarificar é que as mudanças necessárias não podem prejudicar ainda mais o setor produtivo e a população já amplamente atingida pela recessão que assola o País. Entretanto, o que se viu por parte do governo recentemente e da presidente Dilma Rousseff, que abriu a 70ª assembleia geral da Organização das Nações Unidas declarando que nossa economia é forte, foi a proposta de um tímido corte nas contas públicas e a penalização do cidadão brasileiro, mais uma vez.

A proposta para a volta da cobrança da CPMF é um ultraje. Isso ocasionaria o aumento de custos em cascata sobre toda a economia do País.

Independentemente do percentual proposto, a sociedade já demonstrou que não suporta mais nenhum aumento da carga tributária.

A redução do benefício do Reintegra, que concede créditos ao exportador; e a transferência de 30% da arrecadação do Sistema S para a Previdência também é motivo de repúdio. Em um momento em que o País poderia voltar a ter perfil exportador, tirar incentivos como o Reintegra é revoltante. Mexer no orçamento de entidades como Sesi e Senai, que contribuem para a qualificação, atendimento e educação dos trabalhadores também demonstra a falta de comprometimento do Governo Federal com o desenvolvimento da indústria brasileira. Sem serviços como este, mantidos com recursos pagos pelas indústrias, estamos fadados cada vez mais ao subdesenvolvimento.

A redução de investimentos no PAC também preocupa. Santa Catarina é um estado extremamente promissor, mas com uma infraestrutura precária. Não podemos arcar com mais atrasos nos investimentos necessários na região, como a duplicação da BR-470.

É lamentável também a decisão da presidente Dilma Rousseff que alterou a política de desoneração da folha pagamento e aumentou os impostos de 1 para 2,5% sobre o faturamento das empresas do setor têxtil e do vestuário.

Segundo a Abit – Associação Brasileira da Indústria Têxtil, a decisão da presidente Dilma de excluir o setor têxtil do grupo beneficiado com menor aumento de impostos pode afetar 28 mil confecções no país e fazer com que as demissões, que eram previstas em 100 mil, ultrapasse esse número. Ainda de acordo com a Abit, nos primeiros meses deste ano o setor já fechou 24 mil postos de trabalho.

Onde está a economia forte, senhora presidente?

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta