O salário “miserê” de R$ 24 mil líquido

Durante muito tempo a imagem do Ministério Público sempre foi de uma instituição defensora dos direitos da coletividade, acima de qualquer suspeita. Mas de um tempo para cá, estes “guardiões” da moralidade também mostraram que tem em seus quadros cidadãos como em qualquer lugar, carregando fraquezas, vaidades e algumas vezes mau caratismo.

Esta postagem não vai tratar do excesso de alguns promotores, que usam de suas funções para fazer acusações midiáticas que muitas vezes não são comprovadas ou são feitas para atender determinados interesses ou convicções.

A reflexão é sobre o “despudoramento” – expressão usada pelo filósofo Mario Sérgio Cortella ao comentar o assunto na rádio CBN – de um procurador do Ministério Público de Minas Gerais. “Como o cara vai viver com um salário de R$ 24 mil?”, perguntou Leonardo Azeredo dos Santos, durante reunião que discutia o orçamento do MP mineiro para o ano que vem.  Ele refere-se a este valor como “miserê”.

No diálogo que acabou indo parar na Imprensa, ele diz “já estaria baixando o padrão de vida por causa do salário. “Estou deixando de gastar R$ 20 mil de cartão de crédito e estou gastando R$ 8 mil…”

A melhor pérola foi “…eu infelizmente não tenho origem humilde, eu não sou acostumado com tanta limitação…”

O salário que ele considera baixo, R$ 24 mil, é líquido, limpo como se fala. O bruto é de R$ 35.462,22. Segundo o G1, de janeiro a julho, “incorporaram-se aos vencimentos, em todos os meses, Indenizações e outras remunerações em valores que ultrapassam R$ 20 mil.

O maior vencimento recebido pelo procurador foi em junho, de acordo com o G1. O valor líquido foi de R$ 50.104,64, acrescidas de indenização, no valor de R$ 8.984,18 e outras verbas remuneratórias, no valor de R$ 19.528,84. Somados, o valor dá R$ 78.617,66.

Ele questiona. “Quem vai querer ser promotor?”

Este miserê serviria para você?

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