O debate entre políticos e oficiais militares que estão na política

Foto: Bruno Collaço/alesc

Desde o começo desta administração, o ex-bombeiro guindado a governador pelo voto popular Carlos Moisés (PSL) cercou-se de militares da reserva para compor seu governo e as figuras mais emblemáticas são o secretário de Administração Jorge Tasca e o agora ex-secretário de Saúde Helton Zeferino.

Tornou-se comum a reclamação de políticos, em especial os deputados, para ter acesso a representantes do Governo.  Lembro, ainda em 2019, do deputado Ivan Naatz (PL) se queixando que para entrar na Secretaria de Saúde era preciso passar pelo cabo, depois pelo sargento, em seguida pelo tenente para conseguir conversar com o secretário. Um exagero, claro, mas para ilustrar a dificuldade de acesso.

Com a crise causada pela pandemia, com o isolamento do governador Moisés e em seguida com as denúncias de mal feitos nas negociações para combater o Coronavírus, o que resultou numa CPI, o clima esquentou entre parlamentares e os secretários “militares”. Ao serem inquiridos na Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a compra de 200 respiradores pelo Estado, era comum a fala “vocês não estão no quartel”, “vocês não estão falando com soldados”.

E na sessão desta quarta-feira na Assembleia, o deputado Coronel Mocellin (PSL) comentou a atitude de colegas membros da CPI que ao inquirirem membros da Polícia Militar e bombeiros.

“Tenho ouvido várias vezes ‘você não está falando com seus soldados’, dando a impressão de que os soldados são funcionários dos oficiais, que podem ser tratados com falta de educação e desrespeito. Isso ofende os oficiais e os praças. Fui soldado, tenho uma filha soldado e quando ouço este tipo de manifestação, ela é ofensiva. Oficiais não mandam em praça, comandam, significa operar junto, os praças não servem os oficiais, servem à sociedade”, argumentou Mocellin.

O relator da CPI, Ivan Naatz (PL) defendeu os membros da Comissão.

“Alguns (depoentes) são do corpo da PM, mas preciso repetir a frase de Kennedy Nunes (PSD) quando falou com o secretário Tasca, ‘quem senta naquele banco não usa uniforme militar, está usando rupa civil’, sentam para conversar com os deputados pensando que são militares, são políticos e civis”.

Pois, mas realmente alguns parlamentares, em especial Naatz e Kennedy, tem usado esta retórica para tentar destabilizar os membros do Governo. E, ainda usando uma expressão militar, podem estar dando um tiro no pé.

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