Entre trucos e blefes, um pouco sobre a política nacional nesta reta final de campanha

Lula, com uma audiência de pelo menos 1,5 milhão de pessoas pelo YouTube, um debate cancelado e um Poder Judiciário interferindo diretamente em acontecimentos da reta final da disputa presidencial no Brasil.

Me parece o resumo da última noite de campanha nos meios eletrônicos tradicionais, numa sucessão de cartadas e blefes de tirar o fôlego, mesmo das pessoas que acompanham a política há pelo menos 30 anos, como é o caso deste jornalista.

Envolvendo ainda a principal empresa de comunicação do país e um dos mais influentes podcasts, outra importante nuance do que aconteceu nesta quinta-feira.

Até o final da tarde, a grande pergunta era qual o peso da ausência de Lula, anunciada com antecedência, e o ganho de Flávio Bolsonaro, nesta reta final.

Mas, já sabemos o que aconteceu. A Globo cancelou o debate duas horas antes, com toda estrutura montada, depois de duas decisões judiciais, uma do TSE e outra do STF, que culminaram com Flávio Bolsonaro (PL) anunciando sua desistência em comparecer.

Flávio Bolsonaro justificou sua ausência pela decisão do TSE de não manter a cadeira vazia de Lula durante o programa, o que estava previsto no regulamento apresentado para todas as campanhas. Disse que era “censura”.  Mas, na verdade, o motivo foi a determinação do STF, do ministro Gilmar Mendes, de garantir a participação de Renan Santos, candidato do Missão, que tem focado sua artilharia no candidato do PL, mesmo se apresentando como candidato de direita.

A ausência anunciada de Lula era um gol contra o petista. A campanha sabia do desgaste, mas apostou no mal menor, percebendo que seria o alvo principal do debate de maior audiência do país. Mas o que Lula perderia ficou empatado pelo recuo de Flávio Bolsonaro, que usou a mesma estratégia petista. Resolveu não arriscar, ou “amarelou”, como queiram. O que seria um ambiente propício para atacar o Governo Federal e o PT, ganhou de última hora um calo importante para as pretensões de Flávio. A presença de Renan Santos e seu vale-tudo, um tanto irresponsável, mudaram o curso do debate de maior audiência da TV brasileira aberta.

O que era para ser ruim para Lula, talvez seja pior para Flávio, que desistiu em cima da hora. A diferença é que o petista já havia anunciado com antecedência sua ausência e tinha uma estratégia definida, que incluía o uso das redes sociais no Flow Podcast, um dos mais influentes do país. O candidato do PL não. Parece ter sido surpreendido pela ação das duas cortes, no caso o TSE e STF, e reagiu sem ter um plano B.

A luta fratricida nos bastidores do topo do Poder Judiciário, dividido em lados políticos, interfere diretamente no dia a dia da campanha, em diferentes circunstâncias e interpretações. Foi assim novamente, mesmo com argumentos que têm mais de uma perspectiva.

Isso é uma análise para além das bolhas. Os dois lados possuem argumentos e contarão com defensores que acreditam neles.

Mas o fato é que não há vencedor com o que vimos nesta quinta-feira. Foi uma noite de perde-perde. A democracia é vítima, independentemente do resultado das urnas.

Sem debates, sem propostas, sem ideias, e com os principais candidatos com índices recordes de rejeição.

Cada um com sua estratégia. Um deles será eleito.

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