Entidades empresariais do Vale Europeu pedem derrubada de projeto que muda nome da região

Foto: reprodução

A proposta apresentada pelo deputado estadual Marquito (PSOL), de Florianópolis, para revogar a denominação oficial de Região Metropolitana do Vale Europeu provocou reação imediata no setor produtivo. O SIHORBS – Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Blumenau e Região e a Intersindical Empresarial de Blumenau e Região divulgaram manifestos públicos de repúdio ao projeto e defenderam a manutenção da nomenclatura, que classificam como um importante patrimônio histórico, cultural e econômico da região.

Os manifestos somam-se à mobilização iniciada pelo deputado estadual Napoleão Bernardes (PSD), integrante da Bancada do Vale do Itajaí e membro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa, onde o projeto iniciou sua tramitação. O parlamentar já anunciou que atuará pela rejeição da proposta ainda no colegiado.

Para Napoleão, a reação das entidades demonstra que a defesa do nome “Vale Europeu” transcende o debate político e representa um sentimento compartilhado por diversos segmentos da sociedade. “Quando entidades representativas da nossa economia se manifestam, fica claro que essa discussão vai muito além do embate partidário. Estamos falando de uma identidade construída ao longo de gerações e reconhecida pela própria população. O Vale Europeu é uma marca consolidada, que fortalece o turismo, a cultura, os negócios e o sentimento de pertencimento da nossa região”, afirma.

O deputado também destacou que pretende dialogar com os demais integrantes da CCJ para demonstrar que a manutenção da atual nomenclatura representa o entendimento da região. “Nosso objetivo é preservar uma identidade que pertence à população do Vale Europeu. Vamos trabalhar para que a proposta seja rejeitada já na Comissão de Constituição e Justiça, sempre com respeito às diferentes opiniões, mas defendendo aquilo que consideramos melhor para a nossa região.”

Entenda a controvérsia

O projeto apresentado pelo deputado Marquito busca revogar a lei que oficializou a denominação Região Metropolitana do Vale Europeu, restabelecendo o nome Região Metropolitana do Vale do Itajaí. Na justificativa, o autor sustenta que a expressão “Vale Europeu” privilegiaria apenas parte da formação histórica da região e “invisibilizaria” a contribuição dos povos indígenas.

Em defesa da manutenção da atual nomenclatura, Napoleão sustenta que a própria legislação estadual demonstra que esse entendimento não corresponde à organização territorial de Santa Catarina. Segundo o parlamentar, o Vale do Itajaí continua sendo a macrorregião, composta por três regiões metropolitanas distintas: Vale Europeu, Alto Vale do Itajaí e Foz do Rio Itajaí. “Ou seja, o Vale do Itajaí nunca deixou de existir. O Vale Europeu é apenas uma das regiões que integram essa macrorregião”, explica.

O deputado também observa que o reconhecimento da herança europeia não exclui outras contribuições históricas. “O próprio nome ‘Itajaí’ é de origem tupi-guarani, demonstrando que nossa identidade regional já contempla o reconhecimento dos povos originários. Valorizar a contribuição dos imigrantes alemães, italianos, austríacos e poloneses não significa apagar a história indígena, mas reconhecer todos aqueles que ajudaram a construir esta região.”

Para Napoleão, além do aspecto histórico, a expressão “Vale Europeu” consolidou-se nas últimas décadas como uma das principais marcas turísticas e culturais de Santa Catarina, associada a municípios como Blumenau, Pomerode, Timbó, Gaspar, Brusque e Indaial, conhecidos nacionalmente por suas tradições, arquitetura, gastronomia e festas típicas.

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