Diretoria da ACIB recebe Defesa Civil e discute impactos do El Niño esperados para Blumenau

Foto: divulgação ACIB

A possibilidade de impactos do fenômeno El Niño em Blumenau foi tema de debate durante a reunião da diretoria da ACIB, realizada na noite desta segunda-feira, dia 11, na sede da associação. O encontro contou com a participação de representantes da Defesa Civil do município, que apresentaram atualizações sobre as previsões climáticas para os próximos meses.

Participaram da reunião o secretário municipal de Defesa Civil, coronel Carlos Olimpio Menestrina; a meteorologista Emily Ramos; e o agente municipal de Defesa Civil Marcos Aurélio Dias. Durante o encontro, os participantes confirmaram que o fenômeno El Niño vai ocorrer nos próximos meses, mas ressaltaram que ainda é cedo para afirmar quais serão os impactos específicos para Blumenau e região.

Segundo Emily, o aquecimento das águas do oceano vem sendo registrado desde fevereiro e deve continuar ao longo dos próximos meses. A tendência, conforme os modelos climáticos atuais, é de um El Niño de forte intensidade, com aumento do volume de chuvas principalmente durante a primavera.

A meteorologista destacou que as previsões atuais indicam chuva acima da média entre setembro e novembro, podendo chegar a cerca de 200 milímetros acima do normal no trimestre. Ainda assim, reforçou que não há condições técnicas de prever, com tanta antecedência, a ocorrência de enchentes na cidade.

“O fato é: teremos o El Niño, como já tivemos diversas vezes. O que ainda não é possível prever é como ele vai se comportar e quais vão ser os impactos na nossa região. Hoje conseguimos observar tendências climáticas para os próximos meses. Mas prever uma enchente específica, o nível do rio, só é possível com maior precisão em um prazo mais curto, algo em torno de 15 dias”, afirmou.

O coronel Menestrina reforçou que Blumenau e a Defesa Civil acompanham permanentemente os cenários climáticos e trabalham na preparação da estrutura de prevenção e resposta. Segundo ele, o município vem realizando manutenção nos diques, limpeza de ribeirões e revisão dos protocolos de atuação. Além disso, destacou que a Universidade Regional de Blumenau (FURB) está entregando um estudo sobre as cotas de enchente atualizadas na cidade.

O secretário também destacou a importância da barragem de José Boiteux para a contenção das cheias no Vale do Itajaí (pauta histórica defendida pela ACIB). Conforme anunciado durante a reunião, o Governo do Estado deve assinar na próxima segunda-feira, dia 18, a ordem de serviço para a modernização completa da estrutura, incluindo automação e operação remota.

Menestrina também alertou que os riscos com o El Niño não são apenas as enchentes, mas principalmente os deslizamentos de terra. “A enchente conseguimos monitorar e prever com antecedência. Já os deslizamentos ainda são muito difíceis de identificar previamente”, afirmou o secretário.

Durante a reunião, a Defesa Civil também reforçou a importância da preparação preventiva por parte da população e das empresas. Segundo Menestrina, embora ainda não seja possível prever enchentes com vários meses de antecedência, os sistemas atuais permitem emitir alertas com tempo hábil para que a população se mobilize.

“Hoje temos estrutura, monitoramento e capacidade de emitir avisos antecipados à população. Mas é fundamental que empresas e famílias tenham seus próprios planos de contingência e saibam como agir em caso de enchente”, destacou.

Menestrina lembrou ainda que, após a entrada em operação da barragem de José Boiteux, nenhuma enchente em Blumenau ultrapassou a marca dos 13 metros. Ele também ressaltou que as comparações com a enchente histórica de 1983 (quando o nível do Rio Itajaí-Açu passou dos 15 metros) precisam considerar que, naquela época, não existiam os atuais sistemas de barragens, monitoramento e alerta.

Durante o debate, a diretoria da ACIB defendeu a criação de um espaço permanente de comunicação com o Poder Público para alinhamento de informações e ações preventivas relacionadas ao El Niño. Ao responder aos questionamentos, Menestrina orientou que as empresas façam análises de risco internas e preparem seus colaboradores para possíveis situações de emergência.

“O El Niño vai acontecer, mas ainda não sabemos quais os impactos que ele vai causar. O que precisamos fazer agora é nos preparar. Eventos de chuva intensa podem ocorrer a qualquer momento, e essa preparação precisa envolver tanto o poder público quanto a iniciativa privada”, afirmou.

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