Produção industrial de SC recua 1,7% no primeiro semestre de 2026

Foto: CNI/Divulgação

A indústria de transformação de Santa Catarina acumulou um recuo de 1,7% no primeiro semestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025, ficando abaixo do desempenho nacional (+0,4%). O resultado reflete um primeiro trimestre fraco, seguido por uma recuperação desigual no segundo trimestre e insuficiente para neutralizar as perdas dos três primeiros meses do ano.

Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, o cenário é de atenção.

“O primeiro semestre foi marcado por desafios e superações para a indústria de SC. Apesar de termos observado uma reação no segundo trimestre, a produção industrial segue em queda diante de um ambiente macroeconômico adverso”, avalia Seleme.

Desempenho setorial

O segundo tarifaço norte-americano e o crédito caro no mercado interno pressionou o segmento de fabricação de móveis, que foi a atividade que apresentou o maior recuo, de 16,7%. Também impactada pelas taxas impostas às exportações para os Estados Unidos, a fabricação de produtos de madeira recuou 6,5%. O impacto das restrições de crédito aos bens de consumo duráveis afetou a produção de veículos automotores, reboques e carrocerias, que caíram 12,8%, produtos de metal (-9,8%), máquinas e equipamentos (-4,6%) e materiais elétricos (-3,9%). “A queda em produtos de metal também reflete a contenção de investimentos em projetos industriais, infraestrutura e construção civil”, avalia o economista-chefe da FIESC, Pablo Bitencourt.

A despeito do resultado negativo nos seis primeiros meses, alguns setores apresentaram desempenho positivo: a fabricação de produtos de borracha e material plástico liderou o crescimento, com alta expressiva de 10,4%, seguida pelos setores de produtos alimentícios (3%), minerais não metálicos (2,2%), metalurgia (1,9%) e produtos químicos (1,3%).

“O avanço no segmento de borracha e plástico está associado ao movimento de antecipação da produção e recomposição de estoques em função das incertezas no mercado de petróleo e do conflito no Irã. Já o setor de alimentos manteve sua trajetória sustentada pela demanda interna e externa”, afirma Bittencourt.

Dados de junho

Na comparação anual com junho de 2025, a produção industrial do estado avançou 1,9%. As maiores altas do mês no estado ocorreram em borracha e plástico (15,4%) e alimentos (9,5%), enquanto as principais quedas foram em produtos de metal (-10,1%) e móveis (-9,3%).

Na avaliação do economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, os números consolidados do semestre revelam um quadro mais adverso do que o estimado nas projeções iniciais da entidade. Segundo ele, a retomada do crescimento foi afetada pelo contexto macroeconômico doméstico, marcado por juros elevados e crédito restrito, além dos choques negativos do tarifaço norte-americano e do conflito no Oriente Médio, que elevaram os custos de matérias-primas e energia.

Fonte: FIESC

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*