Fla-Flu e a falta de uma agenda

Roberto Rivelino Rautemberg

Professor de Sociologia

Vagarosamente o clima de fla-flu que contagiou a eleição para presidente vai sendo superado.

De um lado, o projeto de governo popular, superado nas urnas tenta se organizar junto de outras forças progressistas. Do outro, o lado vencedor, que agora precisa construir uma agenda para governar.

A priori, deveríamos esperar que Bolsonaro cumprisse as propostas que o fez vencer a eleição, e assim a inquietação sobre sua agenda não se justificaria. Mas o fato é que tem muitos elementos que não dependem somente dele. O que aparentemente cabe a ele é se posicionar (via redes sociais) contra conquistas sociais que estavam sendo desenhadas/ampliadas democraticamente.

Nada, ou quase nada será feito sem o congresso ou senado. E em se tratando do poder legislativo, a história recente, e ainda fresca, pode explicar as limitações que serão apresentadas a Bolsonaro.

Então o Bolsonaro não vai cumprir o que prometeu na campanha? Creio que sim! Até porque a campanha dele não conseguiu se aprofundar em nenhum tema mais central, se limitando às agendas morais. Como exemplo, lembremo-nos das falas sobre o kit gay, escola sem partido.

Sabiamente Bolsonaro está organizando um fato político por dia. Todas as vezes que ele “resolve” juntar alguns ministérios para “economizar”, e assim continuar atendendo uma fração da sua agenda, ele está fazendo duas coisas, a primeira, e mais danosa, reduzindo ainda mais o Estado e a segunda, injetando mais uma dose de anestesia nos brasileiros.

Se de um lado ele parece estar perdido com essas afirmações sobre excluir ministérios e logo em seguida mudar de ideia, e mais ainda, usando suas redes sociais, isolando assim, parte de imprensa, podemos perceber nisso uma nítida estratégia, a de se transformar no único a dizer a verdade, já que o conteúdo anunciando pela mídia
tradicional não se sustenta.

Ante tudo que está se desenhando para os próximos anos, e antes mesmo de assumir, o programa Mais Médicos não conviverá com o futuro governo brasileiro. Essa decisão, infelizmente deixará milhões de pessoas, especialmente as que mais precisam do Estado, completamente desassistidas.

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