Sociedade Dramático Musical Carlos Gomes inicia comemoração dos 160 anos com concerto gratuito

Imagem: divulgação

No dia 19 de março, às 20h, o concerto de canto lírico Tributo a Carlos Gomes marcará o aniversário dos 150 anos da estreia mundial da ópera Il Guarany (O Guarani), que inseriu o compositor paulista Carlos Gomes no clube dos grandes compositores do planeta, além de dar início às comemorações dos 160 anos da Sociedade Dramático Musical Carlos Gomes.

Estarão no programa apenas obras do compositor homenageado, sendo uma peça para piano e uma canção, além de árias das óperas Fosca, Lo Schiavo, Colombo e O Guarani. Os artistas que se apresentarão em Blumenau possuem reconhecida carreira em grandes teatros brasileiros e na Europa: a soprano Masami Ganev, o tenor Richard Bauer, o barítono Douglas Hahn, acompanhados pelo pianista Matheus Alborghetti. Haverá ainda participação especial da banda do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville, executando a peça mais conhecida de Gomes, a abertura da ópera O Guarani, popularizada como a vinheta do programa de rádio A Voz do Brasil.

A ópera O Guarani, uma adaptação do romance homônimo do brasileiro José de Alencar, estreou no dia 19 de março de 1870, no teatro Alla Scala, encenada em italiano, com libreto de Antonio Scalvini e música de Carlos Gomes. A história de amor de Ceci e do indígena Peri ganhou o mundo e fez estrondoso sucesso na Europa. O êxito foi tamanho que Giuseppe Verdi, considerado por muitos como o maior compositor de óperas de todos os tempos, assinalou Gomes como “um gênio musical” após assistir à obra.

O evento também faz parte da programação dos 160 anos de fundação da Sociedade Dramático Musical Carlos Gomes. Criada em 1860, como Sociedade Teatral de Blumenau, passou a chamar-se Sociedade Teatral Frohsinn e, desde 1939 (ano de conclusão da primeira etapa das obras do teatro) adotou o nome atual, homenageando o maior compositor das Américas no século XIX.

Na praça em frente ao prédio do Teatro Carlos Gomes esculturas em bronze feitas pelo artista Pedro Dantas também são uma homenagem constante e que pode ser vista por quem passa por ali, são elas: o maestro e compositor Antonio Carlos Gomes; e o índio Peri, personagem da famosa ópera “O Guarani”. As esculturas foram um patrocínio do empresário Wandér Weege que também revitalizou a praça do Teatro no ano 2000.

Para o presidente da Sociedade, Ricardo Stodieck, comemorar os 160 anos junto com o sesquicentenário de O Guarani é uma feliz coincidência: “no ano em que a Sociedade Carlos Gomes faz 160 anos de ótimos serviços prestados à cultura de Blumenau, nada mais oportuno do que comemorar com obras de Carlos Gomes”.

Na opinião do produtor do evento, Guilherme Gassenferth, “a cidade de Blumenau e a Sociedade Carlos Gomes estão de parabéns pela sensibilidade de dar este concerto de presente aos blumenauenses e reconhecer a memória do único brasileiro a figurar entre os principais compositores de ópera do mundo”.

Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados na bilheteria do Teatro Carlos Gomes a partir de 10/03/2020.

Carlos Gomes e Il Guarany

Antonio Carlos Gomes, nascido em 1836 em Campinas, já havia obtido algum êxito no Brasil com composições populares, sacras e óperas, até alcançar prestígio junto ao imperador Dom Pedro II. Com as bênçãos do monarca, foi enviado para estudar na Europa, onde teve aulas com o diretor do Conservatório de Milão, Lauro Rossi. Foi no prestigiado teatro Alla Scala, naquela cidade, em 19 de março de 1870, que aconteceu a estreia mundial de Il Guarany, ou O Guarani.

Após ter contato com o lançamento da tradução para o italiano do romance O Guarani, de José de Alencar, Carlos Gomes vê na história uma forma de exaltar a pátria natal, no melhor espírito do romantismo da época, que idealizava a figura do indígena. Ele contata o libretista milanês Antonio Scalvini, que adapta a obra que narra o amor de Ceci com o indígena Peri, para que o compositor brasileiro pudesse criar a música que o projetaria na Europa.

Para a estreia, Carlos Gomes estava apreensivo e relatou em cartas ao irmão o medo da recepção do público. O temor, no entanto, foi em vão: após a récita de estreia, Gomes foi chamado 18 vezes ao palco para ser aplaudido naquela noite. Tantos aplausos seriam o prenúncio do sucesso que a obra faria por toda a Europa e no Brasil.

Sobre a ópera O Guarani, posteriormente disse Giuseppe Verdi, o mais célebre compositor de óperas de todos os tempos: “assisti com grande satisfação minha à ópera do meu colega Gomes, O Guarani, e posso afirmar-lhe que ela é de corte primoroso, reveladora de uma alma ardente, de um verdadeiro gênio musical”.

A obra, que se passa no século XVI, narra o amor da portuguesa Cecília, filha do nobre português Dom Antônio de Mariz, e do líder da tribo guarani, Peri. No litoral do Rio de Janeiro, os indígenas aimorés e guaranis estão em guerra.

Cecília está prometida em casamento a um aventureiro português, Dom Álvaro, que está prometido a uma indígena aimoré. Ela, contudo, apaixona-se por Peri, que corresponde ao seu amor e por isto resolve apoiar o pai de Ceci, chefe dos caçadores que lutam contra os aimorés. Gonzales, outro aventureiro português, hospedado na casa de Dom Antônio, intenta rebelar-se contra seus companheiros sequestrando Cecília, mas Peri descobre seus planos e os impede. Pouco depois, Peri é preso pelos guerreiros.

Sabedor do amor entre Peri e Cecília, o cacique resolve sacrificá-los. Dom Antônio e seus companheiros chegam e tudo se acalma, mas nova traição de Gonzales resulta no aprisionamento de Dom Antônio e Cecília em seu próprio castelo.

Peri sai em busca da amada, pois descobriu que Dom Antônio pretende matar-se e levar Cecília consigo. O guarani implora ao nobre português para salvar Cecília. Este, emocionado com o amor entre os dois, batiza Peri e o torna cristão. Ceci e Peri fogem e assistem, de longe, à explosão do castelo com Dom Antônio, que sacrificou a vida para salvar a da filha, ao lado dos inimigos.

Fonte: Oficina das Palavras

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