A ministra Carmen Lúcia é a única mulher da mais alta corte brasileira. Foi a que menos falou na sessão chamada de histórica desta terça-feira, 12, para avaliar se um dos seus membros, Alexandre de Moraes, deveria ser investigado por suposto envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, responsável pelo maior escândalo do país. Mesmo falando menos, foi a mais lúcida, pedindo desculpas ao povo brasileiro pelo papelão que o Supremo Tribunal Federal estava fazendo em rede nacional, em mais de cinco horas de uma decisão que não aconteceu.
Os ministros ficaram nas preliminares. Flávio Dino pediu vistas e a veterana ministra nem votou na questão de ordem colocada por Gilmar Mendes, de juntar o processo que envolve Moraes com o de André Mendonça, que levantou o sigilo das supostas conversas de Vorcaro com Moraes, desencadeando a batalha que é mais política do que jurídica.
Não se decidiu nada e escancarou-se a situação em que se encontra hoje aquela que já foi uma das instituições de maior confiança do cidadão brasileiro. Troca de acusações pesadas, em especial envolvendo Mendes, Mendonça, Fux e Moraes. Ironias entre Dino e Fachin, acuado na tarefa de tentar mediar seus pares.
Ficou evidenciado que o espírito republicano foi o que menos existiu, com os interesses particulares e políticos prevalecendo. Muito jogo para a torcida. Alguns tentando evitar ou ao menos atrasar a investigação, outros na tarefa de trazer Alexandre de Moraes para o ringue e associá-lo ao presidente Lula (PT), candidato à reeleição.
Ninguém teve razão. Ninguém quis ter razão; cumpriram um papel que mostra como o sistema funciona, atendendo, se não a todos os lados, a muitos lados e contemporizando.
O STF ser dividido, tendo ministros com visões de mundo diferentes, é salutar. Mas a sessão desta terça mostrou que há times atuando na corte, que se sujeitam à pauta política.
Moraes escapou, pelo menos por enquanto. Semana que vem tem mais, desta vez sobre a postura de André Mendonça, que conseguiu dar uma embaralhada no jogo eleitoral a partir do Supremo.
Uma derrota e tanto para a democracia e a cidadania. Os ministros do STF colocam sua biografia no mesmo patamar da classe política, tão desacreditada. Perde o Brasil.




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