Opinião | Barbie, fora da tela do cinema

Foto: reprodução

Barbie foi criada no final da década de 50 e a primeira boneca criada com imagem de uma mulher, que até então as bonecas eram somente representadas como bebês. Sua representação reforçou duras críticas principalmente com os estereótipos femininos relacionados a moda, beleza, e o corpo perfeito. E essa representação foi destacado em seu lançamento ressente nas telas do cinema, que nos fazem refletir não só nos estereótipos, mas sobre o papel da mulher na sociedade, os desafios enfrentados, as lutas feministas na construção de uma sociedade contemporânea.

Esta reflexão começa com as lutas das mulheres por igualdade e respeito que datam de séculos atrás, um dos exemplos símbolo de luta e revelia acontece pouco antes da idade média, Hipátia de Alexandria, considerada a primeira mulher matemática que se tem registro da história. Ela segue os passos do pai em busca do conhecimento, e por defender o raciocínio cientifico na época foi assassinada, assim como tantas outras mulheres que na idade média eram consideradas como bruxas foram perseguidas e mortas, pelo simples fato de ter conhecimento e habilidades específicas do cotidiano.

Outro período importante da história, remete as sufragistas que lutaram pelo direito ao voto, são períodos importantes da conquista feminista, e por falar em feminismo o filme Barbie foi o assunto mais destacado, com cenas que detalham a busca pela igualdade de gênero e a união entre a mulheres por uma determinada causa. Ela se entristece quando no mundo real, não há representatividade feminina na Mattel empresa líder global na fabricação de brinquedos, que usam discursos feministas e são liderados por homens.

A tristeza da Barbie, fora das telas é ainda de muitas mulheres que estão no mercado de trabalho, algumas tem carreiras consolidas, mas perdem a vaga de emprego em uma entrevista pelo simples fato de ser mulher, para o empregador elas engravidam, e dão prejuízos a empresa. Outras mulheres até estão em cargos excelentes, mas o seu salário é menor do que do seu colega que exerce a mesma função, outras sofrem preconceitos por estarem exercendo funções que até então era exercidas somente por homens.

Desde o início da criação das bonecas Barbies até os dias atuais, ela passou por várias transformações e acompanhou o desenvolvimento da sociedade, lembro-me há 30 anos quando ainda era criança, o lançamento era uma Barbie grávida, e nessa época as mães de meninas orientavam suas filhas a casar, ter filhos romantizavam a maternidade. Atualmente encontramos Barbies totalmente diferentes, inclusive com carreiras, o empoderamento feminino, a independência, e looks totalmente atualizados, mas não soluciona as questões de desigualdades de gênero no mundo real.

Muito pelo contrário, na viagem ao mundo real Barbie percebe que está em meio de uma sociedade patriarcal, onde o protagonista são os homens, totalmente diferente da Barbieland. Nessa parte do filme me remete ao patriarcado que não é um assunto atual, vem desde os reinos antigos na Mesopotâmia onde por lei dava se o direito aos homens as privações para as mulheres. Bem como histórias conhecidas pela sociedade cristã como de Moisés, Davi, Salomão entre outros, que em algumas religiões, fundamentam que as mulheres foram criadas para servir aos homens e gerarem filhos.

Pode-se dizer que o patriarcado surgiu provavelmente da divisão das tarefas nos tempos primitivos, onde a mulher cuidava dos filhos e era responsável por dar continuidade a herança construída pelo homem, sendo a mulher a responsável pelo controle da natalidade e procriação. E o homem responsável pelo sustento, cuidado com a terra e os animais, bem como a defesa dos predadores de sua família, e responsável pelo direito da propriedade que ficava com os filhos.

Nos dias atuais alguns países islâmicos que tem a cultura mulçumana, ainda possuiu uma  postura de direito de propriedade negado a mulheres, e os homens decidem pela vida e morte de suas mulheres e filhas, que no sentido religioso coloca-se como missão, uma forma de honra e função. Porém atualmente temos um patriarcado “mascarado” quando falamos da mulher no mercado de trabalho, nos trabalhos acadêmicos, na política, na sociedade em geral e a prova disso no filme é quando Ken fica encantado com o mundo real, onde os homens dominavam as mulheres.

Outro detalhe exposto e bem explícito, começa nos problemas gerados pelos machismos no mundo real, embora a Barbie foi criada por uma mulher. Porém para aquela época dos anos 50, temos uma Barbie estereotipada, voltada ao público masculino com idealizações masculinas do que seria o corpo perfeito. A busca por esse padrão de beleza, que vem acompanhada no filme com um problema recorrente na sociedade como o assédio, a submissão a servidão masculina, o consumismo.

Quando vemos a imagem do seria o corpo perfeito na Barbie, podemos refletir nos padrões de beleza impostas pela mídia como um todo. Que pode impactar principalmente em nossas adolescentes, gerando falta de autoestima, depressão e até mesmo doenças graves como a bulimia em busca de um corpo perfeito. Esse impacto também é visto no mundo da moda onde a sociedade tem uma autoimagem imposta que faz com que você construa sua identidade a partir do que veste se.

Sendo assim  para conseguir viver em sociedade, algumas pessoas irão julgar pelo que você tem, se não seguir os padrões impostos a forma de ser tratado muda. Necessariamente vou precisar ter o tênis mais caro, a roupa de alto valor agregado, o carro lançamento, para ser “aceito”. São poucos os que não levam em consideração o que se tem, estão preocupados com suas qualidades, seu potencial, sua inteligência, sua forma de agir com as demais pessoas de uma forma humana, isso dificilmente será encontrado nos dias atuais.

Teria tantas outras reflexões, como a história de Platão, o mito da caverna, onde os habitantes passaram sua vida toda na caverna, tendo acesso somente a sombras e eco do mundo real, e desenvolvem percepções do que é a realidade lá fora. No filme Barbie isso se dá a partir da experiencia dela no mundo real, que carrega com si percepções da Barbieland, onde as mulheres dominavam e eram protagonista. Mas ela percebe que no mundo real as mulheres ainda lutam pela igualdade, lutam pelo empoderamento feminino, e que terá que ter muitos filmes com discussões como da Barbie para atingir a vitória de lutas feminista, que não para por aqui, a luta continua.

Prof. Keila Aparecida de Almeida, Geografa e Professora de Geografia na Rede Pública e Estadual de Santa Catarina

1 Comentário

  1. è só uma boneca , nada mais…..não tem luta, não tem machismo, é só uma boneca .

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