Opinião: a quem pertence Blumenau?

Foto: Wikimedia Commons

Blumenau é assim: prédios vetustos e simbólicos de uma época clássica dando espaço ao útil adequado às exigências modernas. Loura, mas nem tanto; palco de longas polêmicas as mais diversas em conteúdo e importância; progressista, porém conservadora; claustrofóbica entre montanhas e morros, mas ávida pelo farfalhar dos ventos. E acima de tudo orgulhosa e altiva.

O orgulho de ser blumenauense pode ser explicado por uma série de atributos do seu povo e destaques positivos em termos de realizações pioneiras e inclinação ao bem receber. Por isso Blumenau não pertence a uma casta, não é um gueto, ao contrário, a cidade é de todos e de todas.

A diversidade étnica e cultural, festas religiosas e ao mesmo tempo o culto à Oktoberfest (somos a Capital Nacional da Cerveja), fazem da cidade um enclave de civilidade, abertura e alegria.

Entretanto ocorrem exceções. No gosto pela polêmica há quem extrapole e tenta provocar o debate, buscando a ribalta com temas provocativos embora estéreis. Alimenta assim o chiste, a facécia, que tem seu lado positivo, afinal deixar de lado a seriedade, ainda que por alguns instantes, pode oxigenar mentes vazias.

Nessa linha, a despeito de problemas sérios na mobilidade urbana – pontes e ligações entre bairros que não saem do papel, ruas esburacadas; entraves na saúde, falta de profissionais e remédios na rede pública; educação com escolas funcionando em prédios provisórios; segurança estrangulada por falta de efetivos e equipamentos, em paralelo com a violência crescente; edifícios gigantesco em barranca de ribeirões e a Prefeitura marca uma Audiência Pública em data muito estranha.

Pasmem, com a metade da cidade em férias, no dia 19 à noite, a Prefeitura marcou a Audiência Pública para discutir propostas de alterações nos códigos de Circulação, Edificações e Zoneamento da cidade. Trata-se da audiência pública mais importante dos últimos 10 anos na área de Planejamento Urbano, completando o que efetivamente interessa ao novo Plano Diretor de Blumenau.

É profundamente lamentável que seja continuada essa prática de apresentar os assuntos relevantes justamente nesse período, em que as pessoas eventualmente interessadas não podem comparecer, opinar e que assim tenhamos novamente aprovado de forma falsamente participativa os Códigos que definirão todo o desenvolvimento urbano da cidade.

Há algo muito estranho, não pode ser somente insensibilidade ou incompetência. A quem interessa obliterar o debate? Daqui a pouco Blumenau fica igual a Balneário Camboriú cheia de torres e a cidade que já é abafada fica ainda mais fechada, sem ar.

Blumenau não pode concordar com iniciativas reducionistas e excludentes, A filósofa Hannah Arendt diria que o mal se manifesta onde encontra espaço institucional para isso em razão de uma escolha política e se banaliza com o vazio do pensamento. Espero que nossos vereadores protestem.

1 Comentário

  1. Neste caso concordo com o professor Aroldo , audiência pública dia 19/12/2019 é “faz de conta ” .
    Mas em uma cidade que a maioria do legislativo é subserviente ao executivo , o Prefeito faz o que quiser , já que os subservientes não querem perder os “carguinhos” comissionados .
    Ano de 2020 é ano de eleições municipais , tem o cargo de vice prefeito vago , será que será
    preenchido por algum vereador , apostas abertas , mas quem apostar em “não” , aposte pouco .

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