“Novo” Governo Moisés deve reunir algozes recentes

Foto: Secom SC

Este momento da política de Santa Catarina ficará para a história. Nunca um governador esteve tão próximo de sofrer um impeachment, nunca um governador foi afastado por conta da admissibilidade de um processo e nunca foi tão rápida a aproximação entre vítima e seus algozes, se podemos dizer assim.

O fato é que Carlos Moisés (PSL) volta ao Governo um mês depois de ser afastado para julgamento no Tribunal do impeachment, do qual foi absolvido nesta sexta-feira no caso do reajuste dos Procuradores. E se vê fortalecido na véspera do processo de impeachment referente a CPI dos Respiradores, onde as denúncias são mais consistentes.

Mas o que aconteceu neste meio tempo, para de governador defenestrado a um governador que ganha uma sobrevida política?

Em primeiro lugar é que o plano não deu muito certo no parlamento. A ideia, neste primeiro processo de impeachment, era afastar também a vice, Daniela Reinerh (sem partido) , o que não deu certo pelo voto diferente do deputado Sargento Lima (PSL).

Bolsonarista convicta, alinhada com o presidente, Daniela não era vista com bons olhos pelas lideranças da Assembleia pelo potencial de crescimento que poderia representar. Entendia-se que o que estava ruim, poderia piorar.

E neste meio tempo, em segundo lugar, Moisés fez o que não fez nestes quase dois anos de Governo, dialogar com o parlamento. E dois algozes tiveram papel de destaque: o presidente Júlio Garcia (PSD) e Milton Hobus foram interlocutores  constantes neste período do governador, que abriu as portas da Casa da Agronômica para outros também.

O desenho é um novo governo, de coalizão, formado pelos partidos com assento na Assembleia, do PSD ao PT, passando pelo sempre eterno MDB. Coalizão significa deputados e lideranças ocupando cargos de destaque no 1º escalão do Governo.

O primeiro nome do novo secretariado indica isso. Na coletiva realizada no final da tarde desta sexta-feira, Carlos Moisés confirmou que o novo secretário da Casa Civil será Eron Giordani, até ontem era Chefe de Gabinete de Júlio Garcia.

É esperar para ver. E aqui, sem juízo de valor, é possível ver as melancias se acomodando na carroça, juntando quem sem diz nova política com a política de sempre.

1 Comentário

  1. Como todos sabem, ninguém governa sozinho. Uma hora o governador ia ter se dialogar.

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