João Doria intensifica críticas a Bolsonaro e amplia isolamento em São Paulo

Imagem: reprodução/Governo SP

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 6, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ampliou a quarentena no estado até o dia 22. A medida segue sem flexibilizações.

Doria fez um apelo aos empresários, para que não demitam seus funcionários.

“Façam o possível para não demitir. Compreendo a dimensão, as restrições e as dificuldades empresariais.”

“Faz parte do sentimento de um bom empresário, a sua retribuição social, a sua capacidade humana.”

O governador agradeceu nominalmente as empresas que assumiram publicamente o compromisso de não demitir.

Defendeu as ações pautadas pela verdade e pela ciência.

“Não pauto minhas ações por populismo, pauto minhas ações pela verdade e pela ciência. Desde o início desta crise, todas as iniciativas do governo do estado de São Paulo, assim como todas as iniciativas da prefeitura da capital de São Paulo são amparadas na ciência, na opinião médica, daqueles que conhecem e daqueles que tem conhecimento. Não fazemos achismos.”

Defendeu o isolamento social como medida eficaz para a contenção da pandemia e mandou recados diretos ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e aliados, que minimizam os efeitos do novo coronavírus.

“É preciso ouvir e ter humildade para ouvir, sobretudo, em tempos que alguns gostam de impor suas vontades e ameaçam os que têm posição contrária.”

“Se afastar daqueles que pregam o ódio.”

“Há consenso entre as autoridades médicas, praticamente todas, para o isolamento, como forma de salvar vidas. Não são apenas as autoridades médicas brasileiras, é a Organização Mundial da Saúde, são médicos, profissionais e agentes de saúde da maioria dos países do mundo, que já se manifestaram a favor do isolamento.”

Citou atores de governo e de Estado que defendem o isolamento social, contrários ao presidente Bolsonaro.

“No Brasil defendem o isolamento, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, da Justiça, Sérgio Moro, da Fazenda, Paulo Guedes, o vice presidente da República, Hamilton Mourão, o centro de estudos do Exército Brasileiro e a maioria absoluta de médicos e cientistas.”

“Será que todos eles estão errados? Será que a ciência mundial está errada? Será que a Organização Mundial da Saúde está errada? Será que ministros e secretários de saúde de 56 países do mundo, que recentemente fizeram uma conferência com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, recomendando o afastamento social, o isolamento e as medidas em que cada um desses países vem adotando respaldados na medicina e na ciência, estão todos errados?”

“Será que um único presidente da república no mundo é o certo? É quem detém o poder, a capacidade, a ciência e o conhecimento para discordar do mundo?”

Questionou a responsabilidade daqueles que se manifestaram contrários ou ignoraram as recomendações técnicas sobre o assunto.

“Aqueles que incentivam a vida normal, aqueles que pressionam o prefeito da capital de São Paulo, Bruno Covas, aqueles que me pressionam por whatsapp, por telefonemas e por cartas, para que possamos agir contra os nosso princípios e contra os princípios da medicina, a eles eu pergunto: vocês estão preparados para assinar os atestados de óbitos de brasileiros. Vocês estão preparados para carregar os caixões com as vítimas do coronavírus? Vocês que defendem a abertura, que defendem as aglomerações que minimizam a crise gravíssima que estamos, vão enterrar as vítimas?

O governador ainda definiu como prioridade “salvar vidas” e depois a economia.

2 Comentário

  1. A quarentena será um remédio muito pior que a peste chinesa. Quebras, falências, fomes, violência, saques, desempregos em massa e por fim convulsão social!☣️??

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