Fim do Consórcio Siga e o prefeito Napoleão Bernardes: a coragem, as dúvidas e o futuro eleitoral

Foto: Fabrício Theophilo/Informe Blumenau

Os cerca de 120 mil usuários/dia do transporte coletivo de Blumenau não terão o serviço nesta segunda-feira. Será o primeiro dia útil depois da oficialização do fim do consórcio Siga e a cidade permanecerá sem ônibus pelo menos até a outra segunda-feira, 01 de fevereiro, quando uma nova empresa, contratada em caráter emergencial, passa a operar.

Já circulam algumas criticas nas redes sociais sobre este intervalo de tempo, mas é preciso ter clara a complexidade da situação. Somente depois da extinção do Siga a nova empresa pode assinar o contrato e só a partir disto começar a organizar as coisas, do ponto de vista administrativo, operacional, burocrático e jurídico.

Como por exemplo, contratar os trabalhadores das empresas que foram expurgadas, Glória, Rodovel e Verde Vale. É preciso haver uma rescisão e depois uma recontratação. Falamos aqui de cerca de 1.300, 1.400 trabalhadores.

Não se resolve em um dia e vai ser puxado para tentar organizar tudo, afinal o sistema de transporte público de Blumenau é grande e complexo.

Coragem

Napoleão Bernardes (PSDB) teve coragem e fez o que a cidade esperava dele como prefeito. As empresas que atuavam até sábado eram falcatruas ou não conseguiam cumprir com o contrato que assinaram?  Então, se é isso, tchau para elas, este é o sentimento da opinião pública.

Foto: Fabrício Theophilo/Informe Blumenau
Foto: Fabrício Theophilo/Informe Blumenau

Sim, Napoleão teve e tem responsabilidades. Demorou para agir quando a Glória já definhava, fez vistas grossas para uma negociação muito estranha (a venda da empresa em 2013) e pouco questionou a criação do Siga e os desdobramentos quando foi vereador.

Não gosto de superlativos, mas dimensiono a decisão administrativa tomada no sábado como a maior da história recente da cidade, de uns 20 anos para cá, pelo menos.

A cidade depende do transporte coletivo. Paga por ele. Cobra qualidade, preço justo e transparência.

A ruptura como está sendo feita, é sim, um ato de coragem.

Indefinições

Sobre o passado já se sabe, sobre o futuro pairam mais dúvidas do que certezas.

A empresa que vem tem condições de fazer o que Glória, Rodovel e Verde Vale não fizeram?

Em que parâmetros se dará esse contrato emergencial?

O que muda no serviço prestado hoje? O serviço do ônibus seletivo, por exemplo, acabará. O que mais?

A tarifa pode ser superior R$ 3,65, anunciada para entrar em vigor no dia 27, próxima quarta-feira? Esta possibilidade não é descartada pela administração, por conta da contratação emergencial. Neste caso, quanto seria?

Será possível mesmo migrar os créditos que usuários tem hoje para a nova empresa? Em quanto tempo isso acontecerá?

E os trabalhadores, serão contratados ? Em que condições? Como receberão as pendências trabalhistas das três empresas?

Teremos cobradores ? O prefeito já garantiu que sim neste modelo emergencial, mas e na nova licitação?

Qual modelo de serviço será construído na licitação? Ela pode ocorrer daqui a seis meses, mas certamente será lançada daqui um ano, depois das eleições e já com o novo prefeito empossado, que no caso pode ser o próprio Napoleão.

A empresa que assumirá o contrato emergencial a partir de segunda-feira terá algum benefício na licitação?

O que o Governo Napoleão quer para a mobilidade urbana da cidade. É  a hora de propor este debate.

Futuro Político

Napoleão Bernardes é candidato a reeleição. Não está com a moral muito boa junto aos eleitores, apesar dos ocupantes de cargos de comissão pensarem diferente.

Falta, ao seu governo, uma “obra para chamar de sua”.  Essa expressão ouvi de um tucano graúdo, daqueles muito próximos da administração.

A solução dos problemas no transporte coletivo não é uma obra, mas uma ação administrativa e tanta.

Se ele acertar na empresa e no modelo a ser apresentado, ganha uma musculatura eleitoral importante neste período de definições.

Também pode enterrar de vez sua administração.

Durante os próximos dias, Napoleão será alvo de muitas críticas, por conta da ausência do serviço e depois pelos problemas inerentes a começar uma operação deste porte.

Se o que ele e sua equipe pensaram der certo, a médio prazo recupera a imagem.

Bem a tempo de influenciar eventuais parceiros eleitorais.

2 Comentário

  1. Chega de politicagem pense grande pense população pense Blumenau 2050… Pense Blumenau pioneirismo …Construa pontes e não uros..Abram o seu coração..pois nós polvo temos sempre que pagar a conta com o nosso sangue, suor e lagrimas…

Deixe uma resposta