Facebook cria novas regras para anúncios políticos

Em mais medidas voltadas para ampliar a transparência e responsabilidade de anúncios políticos, o Facebook está criando novas regras de identificação para anunciantes de diferentes segmentos. A partir de agora, ao criarem campanhas de publicidade, os apoiadores deverão apresentar documentos de identificação e comprovantes de afiliação aos partidos, organizações e causas que representam.

As normas são diferentes de acordo com a categoria. Organizações não governamentais (ONGs), empresas e indivíduos deverão fornecer números de documentos oficiais do governo, enquanto comitês e partidos políticos deverão apresentar também seus registros oficiais junto à Comissão Federal Eleitoral. Já representantes de setores militares ou do próprio governo somente poderão criar campanhas a partir de endereços de e-mail que terminem com “.gov” ou “.mil”.

Aos usuários, os anúncios aceitos passarão a exibir um ícone indicativo de “organização confirmada”, trazendo mais dados sobre os responsáveis pelas campanhas de publicidade. A ideia é que as pessoas saibam exatamente quem está apoiando diferentes candidatos e propostas.

Pequenos negócios e políticos locais contam com regras diferentes, envolvendo verificações manuais por parte do Facebook a partir da entrega de dados como identidades, endereços, telefones e sites. Estes podem escolher não exibirem suas informações ao público e nem mesmo à rede social, mas ela já avisa que o processo de aprovação pode ser mais demorado e complexo.

Ao mesmo tempo, o Facebook anunciou que está simplificando a categorização dos anúncios e as modalidades em que propagandas serão consideradas políticas. De 20 itens, agora são 10, mas não houve redução, e sim, um novo alinhamento de assuntos e temas, com a empresa afirmando que tenta ser menos restritiva aos anunciantes, ao mesmo tempo em que traz mais transparência e seriedade ao processo.

As mudanças também vêm em resposta às reclamações dos próprios partidos e empresas, que vinham considerando o atual sistema de compra de propagandas punitivo demais. Em alguns casos, até mesmo comerciais sem fins políticos, mas adquiridos por organizações com ligação ao setor, se viam com dificuldades para terem suas campanhas aprovadas, algo que, agora, a empresa diz que não vai mais acontecer.

O objetivo, claro, é evitar manipulação política e os diferentes problemas encontrados durante a última eleição presidencial dos EUA, em 2016, com a rede social, até hoje, envolvida em inquéritos relacionados à manipulação externa, principalmente da Rússia. Com um novo pleito se aproximando, em 2020, o Facebook quer se ver longe desse tipo de polêmica, entregando um ambiente sadio para usuários e anunciantes.

As novas regras entram em vigor em setembro, nos Estados Unidos, e mesmo os anunciantes que já tenham campanhas vigentes ou programadas precisarão fornecer as informações necessárias. Nesse caso, os envolvidos terão até outubro para fazer isso, caso contrário, terão suas propagandas interrompidas e a possibilidade de adquirir novos anúncios bloqueadas até que a situação seja regularizada.

Fonte: The Verge e CanalTech

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