Debate da Globo. Quem ganhou, quem perdeu?

Foto: Globo/ Manoella Mello

A análise de quem se saiu melhor num debate eleitoral sempre é contaminada pelo lado de quem olha. Adeptos do candidato A tendem a entender que ele foi melhor, assim como os simpáticos ao candidato B a acharem que ele saiu na frente.

O Informe acompanhou atentamente o debate desta sexta-feira, na Rede Globo, como milhões de brasileiros. E arrisca a dizer que não é possível cravar que houve vantagem nítida, nem para Flávio Bolsonaro (PL), nem para Lula (PT). E eles pouco pisaram nas cascas de banana colocadas pelos adversários.

Para começar, é preciso dizer que as regras do debate na Globo proporcionaram que os candidatos discutissem mais propostas, mas nada com profundidade. Com temas definidos, houve uma tentativa de debater projetos, apesar de que muitas vezes os candidatos saíam pela tangente e traziam os temas para a seara que entendiam ser mais conveniente.

Flávio Bolsonaro foi assertivo quando associou o custo de vida e a inflação ao descontrole de contas provocado pelo Governo Federal. Lula pareceu, no primeiro momento, não entender bem a dinâmica e se atrapalhou com o tempo algumas vezes.

O candidato do PL escorregou quando usou a expressão “nove dedos” para se referir a Lula, dando a oportunidade para o adversário tentar colar a pecha de preconceituoso em Flávio, além de poder falar do seu passado de trabalhador.

A campanha do PT levou para a plateia a mãe da menina Ana Clara, morta com uma bala de fuzil disparada por um policial, que foi defendido pelo advogado Flávio Bolsonaro. O presidenciável do PL saiu-se mal nas suas explicações.

Lula, em alguns momentos, se atrapalhou com as palavras. Chegou a dizer que acabaria com a polícia, quando queria referir-se à milícia, ato falho explorado pelo adversário.

No final, no confronto direto entre os dois com temas livres, Lula cobrou explicações sobre a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, enrolado em muitas denúncias de falcatruas. Uma delas envolvendo uma ilha e um jogador de futebol, Richarlison, que teria sido lesado numa transação irregular. Lula insistiu muito nas perguntas, mas temos dúvidas se o eleitor comum estava a par do assunto para entender do que se tratava.

Ao final, é possível dizer que Flávio Bolsonaro não teve a mesma postura do debate da BAND, no domingo passado, quando passou uma imagem de arrogante e desrespeitoso. Por outro lado, deixou a impressão de preconceituoso ao falar sobre os “nove dedos” e chamar o adversário de “surdo”.

Lula passou uma imagem mais agressiva, trazendo para o debate temas que estão na mídia, até a recente notícia de uma espécie de “festa” com mulheres num barco em Brasília, em plena luz do dia, no período da pandemia.

O debate vai mexer voto? Talvez, para o lado de Lula, no nosso entender. Por ser vítima de preconceito e por colar temas policialescos no adversário. Mas é um talvez, tímido…

Quem ganhou, quem perdeu? O que vocês acham?

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