Cobrança, indefinição e uma certeza. Sede própria para a Câmara de Blumenau não sairá tão cedo

Foto: CMB/Arquivo

A busca por uma sede própria da Câmara de Blumenau é um assunto que o Informe acompanha desde o início desta fase mais profissional do portal, a partir de 2015. Desde lá, todos os presidentes da Casas — uns mais, outros menos — se movimentaram para que se saísse do aluguel, de cerca de R$ 70 mil mensais.

Mário Hildebrandt (PL), Marcos da Rosa (PL), Marcelo Lanzarin (PP), Egidio Beckhauser (Republicanos), Almir Vieira (PP) e agora Aílton de Souza (PL). E, mais uma vez, ela não sairá das promessas, propostas e retóricas.

Na sessão da última quinta-feira, o vereador Adriano Pereira (PT) tratou do tema em seu pronunciamento. Lembrou os diferentes projetos e cobrou transparência. “Assunto adormecido, parece esquecido”, iniciou sua manifestação, destacando que a terceira maior cidade catarinense não tem sede própria, com “o povo pagando aluguel”.

Em aparte, o presidente Ito explicou que a nova proposta está com a Prefeitura. “Só estou aguardando o retorno do Executivo; tomara que venha ainda no meu mandato”, ele, que deixa a presidência no final do ano. A nova proposta é a compra da atual sede, numa negociação que prevê a inclusão do terreno adquirido do outro lado da Alameda Duque de Caxias, quando a proposta era construir do zero uma nova sede.

Não virá até o final do mandato de presidente do Ito e, provavelmente, nem da atual Legislatura. A Procuradoria Jurídica da Prefeitura já deu o aval para o negócio, mas a questão é financeira. E, como todos sabem, as contas do município estão com o cobertor muito curto e, neste momento, aportar dinheiro na negociação significa tirar de outras áreas.

É isso que ouvimos da administração municipal.

A Câmara tem os recursos do Duodécimo, que devolve todo ano para o Executivo. Em 2025 foram mais de R$ 22 milhões. Apesar de o dinheiro ser do orçamento da Câmara, historicamente, este recurso volta para o caixa da Prefeitura, que conta com ele para quitar seus compromissos.

Para que realmente avance, a proposta de uma sede própria precisa de unidade entre todos os vereadores, foco numa determinada proposta, o tempo certo, que é no início da Legislatura para dar tempo de concluir ao longo dela, e uma boa relação com o Executivo, que precisa concordar.

Tudo que faltou neste um ano e meio.  Vale lembrar que se perdeu muito tempo discutindo a aquisição de um prédio semiabandonado no começo do Garcia, sem consenso entre os vereadores, agravado com uma relação beligerante entre o presidente da Casa e o prefeito — e vice-versa —, relação esta que, diga-se de passagem, já melhorou. Se não andou até agora, não é no período eleitoral que sairá.

Confira a manifestação de Adriano Pereira e do presidente Ito.

 

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