Campanha homofóbica marca eleição de diretor em uma escola em Gaspar

A eleição para diretores de escolas em Gaspar, que acontece nesta sexta-feira, tem um componente homofóbico na disputa pela direção da Escola Professora Dolores L. S. Krauss, no bairro Figueira.

A mãe de duas alunas do 5º ano está fazendo campanha aberta contra o professor  Lodemar Luciano Schmitt, que atua há 19 anos na rede municipal e há 26 na rede estadual, por conta da orientação sexual dele.

“A gente não quer este tipo, tem que botar outro”, “estou defendendo as crianças”, “penso nos meninos, vai inverter os valores”, “é por isso que o mundo está em declínio”, “bota uma pessoa dessa lá, tem criança que não vai bem o ano inteiro e aí coloca uma pessoa dessas para distrair mais ainda”, “estou tentando defender os meus valores”, “as crianças sempre imitam os adultos, pensa imitando ele, ele é afetadíssimo, tem lugar para ele, não discuto a competência” e por aí segue.

É de embrulhar o estômago, lembrando que o STF considera, desde o ano passado, que a homofobia é crime, equiparando as penas por ofensas a homossexuais e a transexuais às previstas na lei contra o racismo. .

Em postagem realizada hoje no seu Facebook, a mãe diz que se arrependeu e pede desculpas ao professor Lodemar. ” Enfim, foram pensamentos que tive e antes de fazer uma boa análise, fui impulsiva e explanei a outras pessoas meus medos e minhas dúvidas, mas jamais pensei que chegaria a tal proporção”, pedindo perdão.

Menos mal, reconhecer já é um avanço, desde que seja de coração e não apenas por medo de processos.

O Sinte fez uma nota sobre o caso, confira:

O SINTE-SC, através da secretária de Gênero e Direitos Humanos Anna Julia Rodrigues e do Coordenador do Coletivo Estadual LGBTI Fazendo a Diferença, Sandro Luiz Cifuentes, repudia veemente a campanha homofóbica que vem sendo feita, principalmente através de aplicativos de mensagens na internet, contra o professor de matemática Lodemar Luciano Schmitt, que atua há 19 anos na rede municipal e há 26 na rede estadual, para que o mesmo não seja eleito diretor, nas eleições municipais que ocorrem amanhã, 22/11, na Escola Professora Dolores L. S. Krauss em Gaspar, apenas por sua orientação sexual.

O professor Lodemar foi da coordenação municipal do SINTE de Gaspar, atualmente é um dos Conselheiros Estaduais eleitos da entidade. Tem a vida dedicada a docência, a educação e a luta pelos direitos humanos e dos trabalhadores, não tendo qualquer comprometimento em sua carreira ou vida pessoal, que o desabone enquanto profissional e pessoa.

O SINTE-SC teve acesso aos áudios lamentáveis enviados por uma mãe de duas alunas do 5º ano da Escola Dolores, a outras mães e pais de estudantes onde ataca o professor com enorme preconceito, usando palavras como “esse tipo de pessoa”, “que está pensando nas crianças, nem tanto nas meninas, mas nos meninos vendo aquilo ali” e muito mais. Ela menciona nos áudios que já organizou reuniões com os pais, quando fez campanha para que baseado na orientação sexual do professor, ignorando sua história, carreira e profissionalismo, votem não nas eleições, pois ele é candidato único, porque desta forma o Prefeito não poderá dar posse a Lodemar, já que é apoiado por todos os trabalhadores da escola.

O SINTE-SC lembra a esta mãe, e aos demais pais ou responsáveis que seguem nessa campanha de ódio, que desde 13 de junho de 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) considera que a homofobia é crime, equiparando as penas por ofensas a homossexuais e a transexuais às previstas na lei contra o racismo. O Ministro Fachin disse em seu voto que “Nenhuma instituição pode deixar de cumprir integralmente a Constituição, que não autoriza tolerar o sofrimento que a discriminação impõe”. Vamos fazer a denúncia em todas as esferas e órgãos de direitos humanos. É inaceitável dentro das escolas, no âmbito da educação, as práticas da intolerância, do preconceito e do ódio, estas que todos os dias matam LGBTIs através da violência, depressão e suicídio.

O SINTE-SC se solidariza com o Professor Lodemar e reafirma que vai continuar na luta contra qualquer tipo de preconceito contra os(as) trabalhadores(as) em educação, tanto nos municípios, quanto no Estado. Basta de LGBTIFOBIA!

 

2 Comentário

  1. Bom dia!
    Gostaria de registrar apenas que em momento algum usei a minha orientação sexual (gênero) na campanha à direção de escola. Isso só foi divulgado pela mãe que tentou me difamar perante à comunidade escolar.
    As propostas que tenho para melhorar os aspectos físicos pedagógicos e administrativos da escola já formação apresentados à toda comunidade escolar daquela unidade de ensino, a qual é a mais interessada!
    Obrigado pelo carinho de todos que se manifestaram a favor da minha pessoa!

Deixe uma resposta