Audiência pública discute dificuldades enfrentadas pela educação em Blumenau

Foto: CMB

Uma das áreas da administração municipal que até pouco tempo passava incólume de críticas, a educação, entrou no radar dos vereadores, em especial do vereador professor Gilson (PSD). Nesta quinta-feira, 21, ele comandou uma audiência pública sobre o tema na Câmara Municipal para tratar da situação de infraestrutura das escolas e CEIS.

Além dele, estavam presentes os vereadores Almir Vieira (PP); Marcos da Rosa (DEM); Jens Mantau (PSDB); Zeca Bombeiro (SD); Oldemar Becker (DEM); Adriano Pereira (PT); Bruno Cunha (PSB); além de diretores, pais de alunos, professores,  do Sintraseb e o diretor administrativo-financeiro da Secretaria da Educação, Mauro Tessari.

Apesar da audiência ter como motivação as reivindicações das APPs, estima-se que 16 representantes, de um total de 121 -, se fizeram presentes.

O vereador Professor Gilson lamentou a ausência da secretária de Municipal de Educação, Patricia Lueders, mas garante que não é nada pessoal contra a figura dela ou do prefeito Mário Hildebrandt (sem partido). Conversei com a Patricia, que me disse que não foi por uma orientação de Governo, pois a pauta era a questão da infraestrutura e por conta disso enviaram o diretor administrativo-financeiro.

Mas ela avaliou como positiva a audiência, afirmou que conversou com o professor Gilson já nesta sexta-feira pela manhã e que uma reunião com ele ficou marcada para a próxima segunda-feira, para ver de que forma é possível alinhar reuniões periódicas da membros da secretaria com os representantes das APPs.

Confira abaixo o resumo de algumas falas, de acordo com a assessoria de imprensa da Câmara de Blumenau. A audiência foi transmitida pela TVL e você pode acompanhar aqui.

O presidente da APP do CEI Frieda Zadrozny, Jean Carlos Krats, disse que a APP é a responsável pelas manutenções do educandário. “Recentemente, para termos agilidade nas matriculas no educandário, tivemos que pagar o conserto do computador”, sustentou. Disse que se a escola arrecada R$ 600 mensais com contribuição dos pais. “Se viesse R$ 1 mil por mês seria possível dar mais qualidade de ensino aos alunos”, defendeu.

O coordenador geral do Sintraseb, Sergio Bernardo, disse que o sindicato recebeu denúncias que colocam em risco as crianças e os trabalhadores da educação. “O governo municipal tem dificuldade de entender a necessidade de auxiliares de serviços gerais. Temos alguns educandários sem profissionais de serviços gerais e sem agentes de zeladoria”, alertou. Provocou a secretaria Municipal de Educação a apontar os educandários que possuem alvará de funcionamento para não terem problemas no futuro.

A presidente da APP da Escola Básica Anita Garibaldi, Renate Dangelo, disse que não é fácil trabalhar com 1.500 alunos em meio às precariedades. Afirmou que manter uma casa já é difícil e questionou as dificuldades de manter uma escola. “Ah, não tem verba? Manda a APP pagar”. Questionou como fazer a manutenção, como cuidar do material didático e dos equipamentos sem verba.

O presidente da APP do CEI Oswaldo Burguer, Anderson Fey, falou sobre a falta de acessibilidade nos educandários. “Muitas escolas não têm acessibilidade. Em algumas já tivemos acidentes com professores e alunos”, assinalou. “O que nós, pais e membros da APP queremos, é que sejam analisadas e adaptadas as edificações de educação de Blumenau”, afirmou.

O idealizador do grupo das APPs, Júlio Pereira, disse que o grupo foi criado para unir as APPs. “Essa não vai ser a única audiência pública. Vamos continuar com esse grupo para melhorar a qualidade do ensino”, assegurou. Lamentou a ausência da secretária Municipal de Educação e disse que não existe um projeto elétrico para os educandários que sofrem com a sobrecarga elétrica. Questionou quais são as prioridades da prefeitura e da Secretaria Municipal de Educação.

A professora e representante do Sintraseb, Geici Maiara Brig, disse que o Sintraseb defende o serviço público de qualidade. “Hoje os trabalhadores da educação são verdadeiros guerreiros. Muitas vezes a gente tira do bolso”, afirmou. Pediu que os profissionais da educação sejam valorizados.

A representante da comunidade, Morgana, disse que já atuou como professora, é mãe e que sabe que a educação tem sempre o mínimo para trabalhar. “Se não fizéssemos mais do que nosso trabalho a educação já teria virado lixo”, lamentou. Disse que muitas vezes os professores precisam comprar o material de trabalho, tirando dinheiro do próprio bolso. Afirmou que muitos educandários são feitos com piso frio e lembrou que as crianças sentam no chão.

Vereadores
O vereador Jens Mantau (PSDB) disse que a Câmara é a caixa de ressonância que recebe as demandas da cidade. Disse que vai tentar, junto ao prefeito, que as sobras do duodécimo da Câmara de Vereadores sejam destinadas para que as APPs possam realizar os trabalhos e melhorias necessárias nos educandários.

O vereador Adriano pereira (PT) disse que sempre esteve ao lado dos trabalhadores da educação como nas recentes votações da Casa. Afirmou que acima dos vereadores estão algumas autoridades, “como o prefeito e outras autoridades que estão ausentes”, afirmou. Lamentou que muitas vezes as crianças chegam em casa com uma rifa para que as APPs possam fazer aquilo que o Poder Executivo não faz. O parlamentar se colocou à disposição para ajudar a educação da cidade.

O vereador Almir Vieira (PP) lembrou que visitou várias escolas da cidade. Disse que trabalhou nos fins de semana realizando melhorias em um educandário que os alunos estavam sem sala de jogos. Mencionou que foram vários os pedidos de outros educandários para melhorar a estrutura dos espaços. “Aquele trabalho tomou uma proporção que fugiu do controle e tivemos que dar uma segurada”, disse, acrescentando que auxilia alguns educandários como pode.

O vereador Oldemar Becker (DEM) disse que sabe do sofrimento dos representantes das APPs. Citou algumas iniciativas desenvolvidas por diretores de alguns educandários para manutenção dos espaços. “Esperamos que possamos conseguir um plano de trabalho e manutenção para ajudar as APPs”, afirmou. Se colocou à disposição para atender os educandários. Salientou que não adianta pedir uma quadra de esportes para um educandário que se não existe sequer um plano de trabalho e manutenção na cidade.

O vereador Bruno Cunha (PSB) disse que todas as problemáticas da sociedade têm como raiz a educação. Lamentou a ausência do prefeito e da secretária Municipal de Educação. “Quando é para vir aqui e ouvir as demandas da comunidade, ninguém se faz presente”, afirmou. Criticou a postura do governo municipal e a falta de diálogo com a comunidade. “É lamentável o que está acontecendo nesta casa. Sou professor e não estaria aqui se não fosse a educação. Sou vereador, mas serei sempre professor. É difícil acreditar em avanço com a ausência do Executivo nesta reunião”.

O vereador Marcos da Rosa (DEM) disse que os desafios são grandes e que a educação é uma prioridade. Afirmou que o momento não é para palanque político e se colocou à disposição da educação. Falou de diversas visitas em educandários realizadas nesta semana. “São muitos os desafios e nós queremos veementemente buscar soluções para os problemas da sociedade”, sustentou.

Prefeitura
O diretor administrativo financeiro da Secretaria de Educação Municipal, Mauro Tessari, disse que o Executivo está presente e que se colocou a disposição para tratar daquilo que precisar. “É necessário tratar a educação, não vamos nos furtar disso na secretaria”, assinalou. Apresentou dificuldades enfrentadas entre o fim de 2018 e o início de 2019, como grande quantidade de contratos ou licitações com vencimento no período, férias coletivas, problemas com fornecedores e limitação orçamentária. Citou os resultados alcançados como a aprovação do projeto para construção de uma escola na Vila Itoupava, conclusão da cobertura de três educandários e viabilização de quatro salas de aula como compensação realizada por uma empresa. Citou ainda outras ações que estão em desenvolvimento, como CEIs em construção, acompanhamento da alimentação escolar e aquisição de novos ônibus escolares.

O proponente da audiência, vereador Professor Gilson (PSD), apontou que “a secretaria vive no mundo dos sonhos e a sociedade vive no mundo da realidade”. Disse que por 11 anos esteve professor do Estado e achava que era ruim, e agora vendo de perto, sabe que no município a situação é mais difícil. “Se a secretária e o prefeito não tiveram coragem de vir até nos hoje, nós vamos até eles”, garantiu. Mencionou que o grupo criado para reunir as APPs vai continuar unido. “Essa luta é de todos nós. Não é a bandeira de uma única pessoa”, registrou. Dirigiu-se ao representante do Executivo: “pode levar o recado para a secretária. Acabou a moleza, acabou a brincadeira”, finalizou.

Fonte: Da redação, com informações da Assessoria de Imprensa CMB

1 Comentário

  1. Parabéns a este grupo de mobilização , aos apoiadores , apps , diretores e professores e mas que nunca aos pais , este grupo está organizado e engajado em prol de melhores condições de estrutura e segurança nas escolas onde nossos filhos estudam. Não buscamos luxo apenas conforto para que possam apreender e professor tenha condição de ensinar tenha minimo de ferramentas.

Deixe uma resposta