Na última quinta-feira, na Câmara Municipal, os cinco vereadores de oposição à administração Egidio Ferrari (PL) foram soberanos na sessão, com fortes críticas na condução das ações de prevenção ao El Niño e também por conta do novo projeto do ISSBLU. Professor Gilson (União), Jean Volpato e Adriano Pereira (PT), Diego Nasato e Bruno Win (Novo) fizeram manifestações contundentes contra o governo, que não teve contraponto para fazer a defesa da gestão. Tem sido assim ao longo de quase dois anos de Legislatura.
Cinco vereadores representam 1/3 da Câmara. Não é maioria, mas é suficiente para protocolar um eventual pedido de CPI, por exemplo.
O problema é que a maioria de governistas, de dez vereadores, é apenas em tese. E piorou com a recente articulação em torno da Mesa Diretora, que tem o líder do Governo, Alexandre Matias (PSDB), como candidato a presidente, numa construção que alijou três parlamentares da base e incluiu os dois do PT. Por mais que a administração diga que a eleição da Mesa não passa pela Prefeitura, vários envolvidos apontam pessoas ligadas ao Governo nas conversas.
Se a ação do governo foi definitiva para a escolha, pode-se especular, mas teve papel importante; pelo menos é o que pensam os vereadores da base excluídos. Com exceção de Silmara Miguel (PSD), Flávio Linhares (PL) e Egídio Beckhauser (Republicanos) falam abertamente do que consideram uma interferência da administração. Com Silmara, não conversamos.
Nesta conta, fecham oito vereadores: cinco de oposição e três da base descontentes. Outro que se mostra muito desconfortável é Bruno Cunha (Cidadania), que foi a voz isolada do governo na reunião da Comissão de Constituição e Justiça que barrou o projeto do ISSBLU. Deu o único voto favorável à proposta de seguir para o plenário.
Fechados com o governo estão hoje Alexandre Matias, Almir Vieira e Rodrigo Marchetti (PP), Jovino Cardoso (PL), Cristiane Loureiro e Aílton de Souza, o Ito (ambos do Podemos). Ito passou todo o primeiro ano da gestão passada apontando problemas na gestão.
Apesar de ter sempre maioria na Câmara, ao longo destes quase dois anos nunca transformou esta maioria em tranquilidade.
Na semana que começa, tem o desafio de fazer votar e aprovar um novo projeto de parcelamento dos débitos patronais com o ISSBLU, proposta que traz embutida a revogação de emendas que penalizavam a Prefeitura em caso de novos atrasos, como está acontecendo agora. Já houve três tentativas nas últimas três sessões, nenhuma prosperou.
Pela gravidade das consequências em caso de não aprovação, é provável que o projeto passe. É preciso ver se o governo fará concessões na proposta ou tentará passá-la como está.
Mas a fragilidade da base governista está colocada.




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