O Informe e as pesquisas eleitorais

Foto: Câmara dos Deputados

Na semana que passou, o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina julgou procedente, por unanimidade de votos, a representação contra as empresas 100% Cidades Participações Ltda. e Futura Consultoria e Assessoria Ltda., resultando na proibição definitiva da divulgação da pesquisa eleitoral registrada sob o nº SC-01761/2026 e na aplicação de multas individuais no valor de R$ 53.205 para cada uma das representadas. Antes, o TRE já havia dado liminar para suspender a publicação.

A ação foi movida pelo PSD, partido que tem como candidato ao Governo de Santa Catarina o ex-prefeito de Chapecó. A sigla questionou a regularidade do levantamento voltado às intenções de voto para os cargos de governador do estado e senador da república nas eleições deste ano. O ponto central da controvérsia foi a omissão da indicação dos bairros pesquisados no momento da complementação do registro no sistema PesqEle, quando as empresas limitaram-se a apresentar dados genéricos por municípios e macrorregiões.

O Informe Blumenau, portal focado em política, evita publicar ou mesmo comentar resultados. Seguem alguns critérios. Com a ajuda da decisão judicial, explicamos nossa posição.

Com a propulsão dos portais e blogs de notícias, surgiu também uma infinidade de institutos de pesquisa. Somos do tempo em que Ibope, Vox Populi, Gallup eram contratados pelos veículos e os poucos grupos que existiam, como Globo, Folha, Veja, Estadão, bancavam. Sim, os institutos erravam e os grupos tinham seus interesses, mas a credibilidade também cobrava seu preço.  Era mais fácil atribuir responsabilidade.

Atualmente, a grande maioria dos institutos é desconhecida ou pouco conhecida. E conseguem generosos espaços nos veículos de imprensa, que, em boa parte, têm relação com político A, B ou C.

Pesquisa eleitoral custa caro; é possível acompanhar no site do TRE, acima de 10 mil por levantamento, investimento muitas vezes incompatível com o fluxo financeiro dos portais. Muitos institutos declaram para a Justiça Eleitoral que eles mesmos assumem a despesa pelo levantamento, situação difícil de acreditar. Assim como os portais, estes institutos trabalham de forma enxuta e com orçamento apertado.

As pesquisas precisam estar registradas para serem publicadas, seguindo critérios estabelecidos pela legislação. Além disso, as pesquisas precisam ter portais que as publiquem, a fim de legitimar a informação e permitir que ela repercuta nas redes sociais de determinados candidatos beneficiados pelos números.

Por duas vezes, na eleição municipal, o Informe Blumenau foi “sondado” para publicar uma pesquisa eleitoral de um instituto desconhecido, registrada na Justiça Eleitoral. Nas duas sondagens, a sinalização do pagamento de uma remuneração bacana para o portal, obviamente, rejeitada.

Por saber como é o jogo e o papel que as pesquisas têm no imaginário do eleitor, construído a partir da imprensa, temos um pé atrás. E pedimos que o eleitor também tenha.

A grande maioria das pesquisas feitas por partidos não são registradas, portanto, é proibida sua divulgação; servem apenas para consumo interno. Estas são mais confiáveis, pois são mais um instrumento de trabalho, usadas por quase todos os grandes partidos políticos.

Até aí, tudo certo. Mas o problema é quando as pesquisas são para induzir o eleitor mais indeciso ou suscetível a mudar de posição, respaldadas por parte da mídia. É o que acontece.

Seguiremos vigilantes, mas sem dar espaço para interesses difusos.

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