“É preciso vigiar de perto este menino; ele pensa demais!”
Sr. Trovões (personagem do livro O menino do dedo verde. Maurice Druon
Agora estou lendo 100 anos de solidão, do Gabriel García Márquez , um colombiano que ganhou o Nobel de Literatura. Cara, esse é o décimo terceiro livro desse ano, já que o limite para redução de pena são doze livros por ano, cada livro me aproximo 4 dias da liberdade ou 48 dias por ano, como já to 10 anos aqui, foram 480 dias e saio ano que vem, quero tentar abrir um sebo, para comprar e vender livros usados pela internet, também tô pensando em criar uma startup onde cada cidadão pode doar livros para os presos do Brasil todo, seria simples, a pessoa se cadastra e paga apenas o custo do envio, manda seu livro velho para qualquer presídio do país, depois o preso que leu aquele livro conta o que sentiu e aprendeu e a pessoa que doou vai pontuando e ganhando bônus digitais, nada com grana, apenas reconhecimento público dele estar levando cultura e liberdade para pessoas como a gente, que cometeu crimes mas se arrependeu, gente que quer pagar pelos seus erros e sair daqui melhor, continuar a vida, estar perto da família, se integrar a sociedade, ser útil e respeitado. A melhor forma de fazer isso é dar condições para enquanto estamos aqui cumprindo nossas penas, possamos trabalhar, plantar e cultivar alimentos saudáveis numa horta comunitária, aprender uma profissão com aulas qualificadas, ter cursos bons, presenciais e digitais, ter uma biblioteca e ler cada vez mais e melhores livros, poder também escrever sobre nossas vidas sofridas, nossa história, nossos porquês, quem sabe fazer poesia, pintar, aprender arte; por que não teatro e dança, aprender a cozinhar, a gente mesmo cozinha e prepara nossas refeições. Se as prisões fossem espaços com boa arquitetura, bons projetos, boa iluminação, lugares limpos e dignos, com hortas comunitárias, praças de esporte, auditórios, paredes coloridas, ateliês de arte e pinturas e costura, eu acho que a gente, pelo menos a grande maioria de nós, sairíamos daqui melhores do que entramos, prontos para uma profissão, com um pé de meia para recomeçar a vida e realmente viver de forma digna e justa, contribuindo como pagadores de impostos e filhos, esposas, maridos, vizinhos, colegas de trabalho. Aqui tive bastante tempo para refletir, pensar sobre mim e a vida, percebi como a vida presta, como a liberdade é importante, sonhei desde o primeiro dia que como uma sociedade civilizada seríamos capazes de mudar toda a lógica e realidade do sistema prisional, criar novos espaços, melhores e diferentes, não masmorras e centros de tortura para a vingança de quem ainda está livre, não mais escolas do crime onde quem entra sai pior, com mais ódio e querendo se vingar da sociedade, num ciclo infinito de ódio e vingança. Peço perdão pelo meu crime, me arrependo do sofrimento que causei, fui condenado e estou pagando minha pena, gostaria de poder um dia sair daqui e viver minha vida em paz, fazendo algo bom, trabalhando e tentando ser um cidadão melhor, lendo meus livros e plantando minhas flores.
“E se a gente fizesse nascer flores para eles?”
Tistu (…o menino do dedo verde)
Christian Krambeck, arquiteto e urbanista, empresário e professor de arquitetura e urbanismo FURB



“E se a gente fizesse nascer flores para eles?”
Deveriam pensar antes de cometer crimes, pois as famílias das vítimas, levaram flores aos túmulos de seus entes queridos que tiveram as vidas ceifadas por quem esta nos presídios.
Mas a função das PRISÕES é torturar, se vingar dos criminosos condenados? Não se questiona a função inibidora, punitiva e restrição de liberdade também como uma espécie de compensação para as vítimas e familiares atingidos; mas hoje nossos presídios são UNIVERSIDADES DO CRIME, MASMORRAS DE TORTURA E VINGANÇA E USINA DE ÓDIO, com pouquíssimas exceções, quem entra sai pior e continua matando, roubando e cometendo crimes, agora em FACÇÕES. NEGAR ISSO É NEGAR A REALIDADE, é fazer de conta, é não querer PENSAR E DEBATER soluções verdadeiras. Paramos de pensar! Construir soluções verdadeiras e sustentáveis, também a médio e longo prazo! Apostamos na polarização, no achismo, no negacionismo, na ideologia e no grito, violência. FAZ 80 ANOS QUE ISSO DEU COMPLETAMENTE ERRADO, TODOS SABEMOS, fazemos de conta que não, continuar agindo e fazendo o mesmo vai dar o mesmo resultado e todos perdemos… ou mudamos ou morremos!