Análise | “Quem teve esta ideia?”

Sempre que penso em fazer uma análise, uma reflexão, uma crítica, olho o histórico e estrutura de quem é alvo do post. Muitas vezes, pessoas com trajetória e expertise profissional muito melhor que a minha.

Quando vi que o presidente Lula (PT), em ano eleitoral, seria tema de uma escola de samba no maior desfile a céu aberto do mundo, o carnaval do Rio de Janeiro, pensei que “não era possível, eles devem saber o que estão fazendo”. Os estrategistas devem ter pesado os prós e contras.

Na verdade, desde que soube, nunca vi como uma ação inteligente, muito menos estratégica. Apostou-se na superexposição.

Com a prudência devida, para um tema que certamente teria uma repercussão maior que o normal, pelos personagens envolvidos, o espaço simbólico, a polarização política e o ambiente pré-eleitoral.

Além da exposição exagerada, teve espaço para a zombaria, a crítica mais ácida que atinge o núcleo de um eleitorado importante.  Não entro aqui em juízo de valor, mas do ponto de vista da estratégia eleitoral, optou-se por fazer uma caricatura social de quem se considera “conservador”, colocar um ex-presidente como um palhaço, jogando holofotes ao ministro do STF, Alexandre de Morais.

Isso pode fazer sentido no âmbito da cultura, da antropologia e da história, mas não vejo sentido na estratégia.

Com a bolha petista, a iniciativa foi bem recebida, “histórica”. A bolha bolsonarista rechaça,  “crime”.  Mas e quem não é nenhum nem outro?

Para piorar, a escola que fez a homenagem ficou em último lugar e foi rebaixada, ela que havia subido no ano passado para este carnaval. Não tem, necessariamente, relação com o tema, é sabido a dificuldade de quem sobe permanecer, mas gera os memes necessários para a Internet.

Quem ganha mais? É simpático ver um presidente da República, candidato à reeleição, ser homenageado no carnaval que conta com recursos públicos, por uma escola de samba sem expressão? Qual a mensagem que passa para o eleitor?

Me parece uma visibilidade desnecessária, uma homenagem que poderia esperar para acontecer em outro momento, fora de um contexto eleitoral.

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