Não deixe o samba morrer

Por Eduardo Evers

sócio do Boteco São Jorge*

O batuque do pandeiro e as notas do cavaquinho entoam uma melodia que é difícil não contagiar. O samba é a raiz do Brasil, é legado. Se mistura com a história do seu povo, já foi ato político e hoje podemos considerar como a nossa principal marca registrada lá fora.

Reza a lenda que o ritmo se originou dos antigos batuques trazidos pelos africanos que vieram como escravos para o Brasil. Em uma espécie de ritual, eles se movimentavam através dos sons, como uma forma de comunicação, conexão e, até mesmo, religião. Aos poucos, a melodia foi incorporando elementos de outros tipos de música, principalmente no Rio de Janeiro do século XIX.

Com o passar do tempo o samba percorreu por todo o território brasileiro. E engana-se quem pensa que por aqui não criou raízes. Apesar das fortes influências dos imigrantes europeus no Vale do Itajaí, o ritmo também encontrou seu espaço – mesmo que ainda pequeno.

Quando decidi abrir meu estabelecimento, foi pensando nele. Eu sempre quis um local que falasse um pouco mais de Brasil em meio a tanta cultura germânica e italiana que carregamos. Pra fazer isso, não poderia ser diferente: tinha que ter samba. E desde então percebi que a força desse ritmo rompe barreiras.

Ao mergulhar mais afundo na melodia, me deparei com histórias que encantaram. Uma família que leva o amor pela Portela para cada acorde e batuque e mantém na música o alicerce da união. Blumenauenses de raiz, mas com o coração no resto do país. Me apaixonei pela voz e rimas de novos sambistas que surgiram por aqui e já estão conquistando os quatro cantos do Brasil. Vi nascer novos fãs do ritmo, que se esbaldam numa boa roda e entoam os grandes clássicos.

Percebi que essa, talvez, seja a principal característica do samba. A força de contagiar, de embalar, de fazer sorrir. A luta em suas letras que se transformam na de cada um que canta e se encanta. Fortaleci seu espaço na minha cidade e fiz desta música a minha vida, o meu trabalho. E no dia em que se comemora este ritmo, meu único pedido é: não deixe o samba morrer.

*Gastrobar localizado na Rua Coelho Neto, 32 (anexo à floricultura), o Boteco São Jorge valoriza a brasilidade na culinária e na música. O sincretismo religioso, que é uma das marcas da população local, está representado no nome e na decoração. O bar funciona de terça à sábado, a partir das 18h. De terça a sexta-feira, serve o festival Sabores de Boteco, além do cardápio à la carte.

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