Opinião: são apenas flatulências

Foto: TV Globo/Reprodução

O filme “O último rei da Escócia” conta a história de Nicholas Garrigan, médico particular do terrível ditador de Uganda, Idi Amin. Amin controlou o país, localizado na região central da África, durante quase uma década. Seu governo promoveu torturas e assassinatos de inimigos políticos, é responsável pelo desaparecimento de pelo menos 300 mil ugandenses.

No filme há uma cena em que o médico é acordado de madrugada para atender o presidente. Ao entrar no quarto do ditador, depara-se com ele se contorcendo, com dores abdominais, assustado, dizendo que fora envenenado por um dos inimigos. O médico pega um taco de beisebol, pressiona contra a barriga de Amin, que se põe a soltar gases.

A cena mostra a fragilidade do ditador. Um sujeito paranoico, que chegou ao poder por conta de um golpe militar, que vivia preso em seu próprio autoritarismo. Não confiava em ninguém. As dores abdominais do ditador ugandense eram apenas flatulências.

Na semana passada o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi internado no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília.  Durante a madrugada o presidente sentiu dores abdominais, no início da noite foi transferido para São Paulo e ficou internado. A internação do presidente acontece depois de ele aparecer em público com uma crise de soluços.

Enquanto o presidente recebia atendimento médico, foi publicada em sua rede social uma foto sua em uma cama de hospital, fazendo relação entre o atual sofrimento do presidente e o atentado sofrido durante a campanha de 2018.  Durante sua estada no hospital circularam também, na imprensa e nas redes sociais, fotos de um presidente sorridente, sem máscara, circulando no hospital e confraternizando com outros pacientes. Segundo o diagnóstico médico, havia pelo menos 1 litro de líquido preso no do aparelho digestivo presidencial.

Não é preciso dizer que a internação do presidente acontece em um período de baixa popularidade, e que seu governo sofre a pior crise desde a sua posse. Para aumentar a pressão sobre o capitão, seu principal concorrente em 2022 já aparece liderando isolado as pesquisas eleitorais e em alguns cenários, aparece eleito no primeiro turno.  Ao sair do hospital, o presidente chegou a cogitar não participar do pleito de 2022.

Peço data vênia ao leitor, mas, em tempos que o presidente usa expressões obscenas para falar da imprensa, de adversários e até de outros poderes, nos permite pensar que talvez suas dores abdominais sejam apenas flatulências.

3 Comentário

  1. Tristeza a sua comparação… espero que vc mesmo se console.

  2. Kkkkk o gado pira. Só sai merda da boca do meuuu mitoooo e ainda querem respeito?

Deixe uma resposta