Opinião: responsabilidade social

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O que tenho em mente é uma noção ampla de responsabilidade social por parte dos indivíduos e das organizações.

Essa perspectiva ultrapassa a mera obrigação com o lucro, limitado somente pelos parâmetros legais (responsabilidades econômica e legal), passa pela responsabilidade ética e alcança a chamada responsabilidade discricionária, postura que implica encarar a sociedade como uma comunidade.

Nós, humanos, somos seres individuais, cada qual com suas características, necessidades, sonhos e aspirações, mas também somos gregários e assim como tantos outros animais somos, por assim dizer, seres de bando. Precisamos dos coletivos até para nos viabilizarmos como indivíduos e carecemos de aceitação e de pertencimento.

Por isso importa reconhecer os limites da individualidade e respeitar normas e imposições do coletivo. De forma simplificada a sabedoria popular coloca que “meus direitos cessam onde começam os dos outros (as)”. Daí advém a noção de responsabilidade social.

Nessa perspectiva teríamos uma “tipologia” da responsabilidade social. Resumidamente, como convém: No primeiro nível viria a RS Econômica – pagar as suas contas, ser economicamente viável; a seguir viria a RS Legal – agir sempre dentro dos parâmetros das leis e das normas vigentes; depois a RS Ética – agir consoante com os valores éticos, estéticos e até da religião que o indivíduo pratica; e finalmente a RS Discricionária, que é absolutamente voluntária, com base numa visão holística. Aqui os indivíduos e as organizações, independentemente das perspectivas já citadas, agem por que se sentem parte de um todo, de algo maior e transcendente.

Se as pessoas e as organizações precisam entender e praticar a RS, as instituições da República, os três Poderes e entidades a eles vinculadas, enfim os atores e atrizes da dimensão política devem com mais obrigação ater-se à suas responsabilidades. Até por que eles existem para servir a Nação. Em outros termos, todos somos “stake holders” (grupos de interesses) dos governos e demais poderes republicanos e como tal temos direito de exigir comportamento adequado dessas autoridades.

Daí, lamentavelmente, o que acontece no nosso Brasil de hoje é alarmante. Os “comandantes”, aqueles que pelo voto ou por concurso estão em posições chave precisam liderar o país diante da crise que se prolonga, se torna mais complexa e profunda. E não estão fazendo.

O atual Ministro da Economia vai a público dizer que a nossa economia “estava decolando” quando adveio o corona vírus. A realidade de um PIB de 1,1% de 2019, mais o desemprego, a desindustrialização, as falências e muito mais negam a falácia apresentada pelo Ministro. Mentiu!

O Ministro da Saúde em demonstração de grande responsabilidade social atuando de forma efetiva no combate à pandemia, coloca várias medidas, no que foi acompanhado por quase todos os Governadores. A mais evidente é a determinação para se evitar aglomerações, eventos com participação de determinado número de pessoas e até de evitar a movimentação não prioritária, tudo de modo a restringir a proliferação do tal COVID-19.

E o que faz o mandatário principal? Estimula os seus “seguidores” à participação de um movimento contra os demais Poderes da República. Depois volta atrás e adiante torna a pedir que se movimentem contra o Congresso e o STF. Mais que isso, um dia aparece de máscara falando da pandemia e suas imposições limitantes e noutro dia, apesar de estar de quarentena, vai a público, dá as mãos, abraça e contraria as decisões do seu governo.

Enfim, não encontro palavras adequadas para explicitar esse comportamento que, aliás, chocou autoridades e a opinião pública mundo afora.

1 Comentário

  1. Isso não é Presidente ,mas sim um fascista irresponsável.

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