Opinião: O Elogio da Loucura

Na imagem: Erasmo de Roterdão

Por Aroldo Bernhardt – Professor

Escrito em 1509 por Erasmo de Roterdão o ensaio que levou o nome acima, traz a Loucura como personagem central, comparada aos Deuses, educada pela Inebriação e Ignorância, cujos companheiros fiéis incluem Philautia (amor-próprio), Kolakia (elogios), Lethe (esquecimento), Misoponia (preguiça), Hedone (prazer), Tryphe (falta de vontade), Komos (destempero) e Eegretos Hypnos (sono morto). A turma da Loucura compõe uma trupe formidável que lamentavelmente se parece com a entourage que assumiu o poder no Brasil.

Realmente no Planalto atualmente vigora e se revigora uma caterva que contém todos os perfis deistas da mitologia romana. Temos “deuses” (Ministros e acólitos) para todos os gostos – inebriados pelo poder, ignorantes (de si, do povo e da realidade), cheios de amor-próprio, esquecidos de coisas que afirmaram no passado, preguiçosos, sedentos por prazer, destemperados e por aí afora. Pensem num desses atributos e perceberão quais dentre os membros do “elenco” governamental são aderentes a cada uma dessas “virtudes”.
Tresloucados ou deslumbrados, talvez tudo isso e muito mais , a começar do “cabeça” – misógino, homofóbico, destemperado, completamente despreparado para o cargo, eleito que foi como o “mito” transformou-se rapidamente em “mico” e em apenas 4 meses enfrenta greves, protestos, rejeição crescente aqui e lá fora (é persona non grata em Nova Iorque e alhures).

“Bateu” continência para funcionários do governo estadunidense, em gesto grotesco de subserviência, superando inclusive governos que foram claramente subalternos como Castello Branco, Fernando Collor ou Eurico Gaspar Dutra. Mas o ridículo com o qual ele expõe o país, não teria tanta importância não fossem as decisões irresponsávei e inexplicáveis que o seu governo toma em sequência alucinante.

Desmonte na Educação, na Previdência, na questão da Amazônia e nos Direitos Humanos são a pauta de um governo sem pauta. A preocupação é tamanha que a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) já apresentou mais de 60 pedidos de esclarecimentos, recomendações ou solicitações sobre medidas que afetam direitos humanos.

Já foram encaminhadas cinco representações à Procuradoria Geral da República com sugestão de ações no Supremo Tribunal Federal sobre constitucionalidade de decretos, legislações e outras medidas que violam garantias fundamentais; seis notas técnicas ao Congresso para subsidiar parlamentares na análise de projetos de lei contrários aos direitos humanos.

Nessa linha, o Decreto que ampliou as hipóteses de registro, posse e comercialização de armas de fogo claramente compromete “a política de segurança pública, especialmente no tocante ao direito à vida”, segundo o Ministério Público Federal.

Para não me alongar, visto que a inquietação do povo já está ganhando as rua e isso é o que importa, vou apenas mencionar um dos grandes apoiadores do Bolsonaro, o Deputado Fausto Pinato, do PP, que afirmou a uma revista semanal de circulação nacional sublinhando que o governo passa por um momento (?) de insanidade: “não sou empregado do governo. Ajudei a eleger esse governo, como muitos aqui da comissão, e temos o dever de corrigir as loucuras e os impropérios e erros do governo. Quem elegeu Bolsonaro não foi só Olavo de Carvalho, não. Muitos aqui, inclusive eu (…).

Enfim a Loucura imaginada por Erasmo de Roterdão , lá em 1509, materializou-se no Brasil bolsonarista.

1 Comentário

  1. De fato, não tem outro nome a não ser BANDO DE DESVAIRADOS!

    Infelizmente!

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