Opinião: o difícil caminho pela esquerda

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Apesar de haver critérios objetivos e orientados pela teoria política para apontar as diferenças entre direita e esquerda, é sempre um debate polêmico e referencial. Aqui em Blumenau, observando as candidaturas que disputam a prefeitura, avalio que quatro estão no campo ideológico da esquerda. Estou considerando aqui, para fim de recorte metodológico, candidatos e forças políticas que em 2016 não apoiaram o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) e não apoiam o governo de Jair Messias Bolsonaro (sem partido).

Neste recorte encontram-se Ana Paula Lima (PT), Geórgia Faust (Psol), Mário Kato (PCdoB), João Natel (PDT). É claro que esse critério é frágil. Porém, considerando o momento político nacional, creio ser o mais objetivo para guiar o eleitor menos iniciado no debate político.

Posto esta definição, é preciso primeiro reconhecer a importância deste campo político, que, apesar de na maioria das vezes ser tratado de forma homogênea, é diverso em si e carrega, de diferentes formas, o fardo de lutar contra o conservadorismo e a desinformação que têm assolado o debate político nas últimas décadas.  

A saudável diversidade da esquerda na maioria das vezes impede que o campo atue de forma unida e estratégica. Nesta eleição, uma candidatura única pela esquerda, devido à cisão também presente no campo da direita – sobretudo entre os bolsonaristas, poderia garantir a presença de um lugar no segundo turno. 

Dividido o campo, Ana Paula Lima (PT) possui a mais laborioso caminho. Além de superar o antipetismo, tem a difícil tarefa de recuperar na memória dos eleitores os avanços promovidos nos dois governos populares em Blumenau e nos 13 anos que a esquerda ocupou o Palácio do Planalto.  Isso, sem deixar de apontar que em 2020 o ambiente é outro e seu grupo político precisa também se renovar na forma de governo. É a mais experiente da esquerda e conta com uma aguerrida militância partidária. O vice com uma vencedora carreira política também pode contar nessa hora. 

Geórgia Faust (Psol) e Mario Kato (PCdoB) são as duas novidades políticas pela esquerda, apesar de experientes militantes de movimentos sociais e políticos na cidade. Ainda que estritamente necessários em Blumenau, esbarram na falta de estrutura partidária e na escassa militância. Talvez sejam os que estão na disputa para marcar posição e levantar debates de temas que outras candidaturas não colocariam na mesa. 

Desconsiderando os critérios acima, João Natel (PDT) é talvez o mais à direita do quarteto. Depois de um longo namoro e de finalmente desposar com a política partidária, tem o desafio de apresentar à cidade sua trajetória acadêmica e política na universidade. Assim como os comunistas e psolistas, tem a difícil missão de conseguir chegar ao segundo turno com pouca militância orgânica. Já contribuiu no debate ao colocar como vice uma candidata indígena. Sobretudo em uma cidade onde os indígenas foram caçados e dizimados. 

Se a conjuntura política não favorece o quarteto, oferece no entanto uma salvaguarda. Todos disputam uma eleição difícil em uma cidade que nas últimas eleições garantiu a hegemonia dos votos a Aécio Neves (PSDB) e a Bolsonaro (sem partido). Lutar contra isso já é um desafio e tanto. E mesmo que você não concorde com eles, é um ato de coragem.

2 Comentário

  1. Com 12 candidatos há tanta pulverização de todos os lados que a esquerda poderia se unir em torno do Natel, que tem menos rejeição, para colocar um candidato no 2º turno.

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